Apesar de um cenário geopolítico tenso e das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos, a China fechou o ano de 2025 com um desempenho histórico em seu comércio exterior. Dados oficiais divulgados pelo governo chinês nesta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, revelam um superávit comercial recorde de US$ 1,189 trilhão.
Resiliência frente às tensões comerciais
O resultado impressionante ocorreu em um ambiente marcado pelo chamado tarifaço do ex-presidente americano Donald Trump, por sanções dos EUA e por instabilidade em várias frentes internacionais. A reação do setor produtivo chinês foi ágil e estratégica. As empresas rapidamente redirecionaram a produção que antes tinha os Estados Unidos como destino final, encontrando mercados alternativos.
Os principais destinos dessa realocação foram a União Europeia e os países do Sudeste Asiático. Esse movimento foi crucial para sustentar o crescimento das exportações, que avançaram 5,5% ao longo de todo o ano de 2025. Enquanto isso, as importações permaneceram praticamente estáveis, contribuindo para o amplo saldo positivo.
Desempenho mensal robusto
O vigor da balança comercial chinesa ficou evidente até no fechamento do ano. Apenas no mês de dezembro de 2025, o superávit atingiu US$ 114,1 bilhões. Este foi a sétima ocasião ao longo do ano em que o saldo mensal ultrapassou a marca dos US$ 100 bilhões, demonstrando uma consistência notável.
Na comparação com dezembro do ano anterior, as exportações cresceram 6,6%, um ritmo que superou as expectativas dos analistas. As importações também apresentaram uma alta significativa de 5,7%, registrando o crescimento mais forte observado em um período de seis meses.
Cenário global de incertezas e busca por proteção
O pano de fundo internacional continua carregado de desafios. Tensões envolvendo o Irã, incertezas sobre a produção de petróleo na Venezuela e ameaças comerciais permanecem no radar. Além disso, o embate político entre Donald Trump e o Federal Reserve (Fed), comandado por Jerome Powell, adiciona volatilidade aos mercados.
Nesse contexto de aversão ao risco, os investidores buscam ativos considerados mais seguros. Refletindo esse movimento, o ouro renovou seus recordes de valor na manhã desta quarta-feira, com alta de 1%. A prata também disparou, rompendo a barreira de US$ 90 por onça. Esse comportamento é impulsionado por uma inflação mais branda nos EUA, apostas em cortes futuros da taxa de juros americana e o desejo global por proteção.
O programa Mercado, que vai ao ar a partir das 10h, deve discutir em detalhes esses números recordes da China e o impacto deles na economia global, dentro de um cenário ainda tão desafiador.