Acordo Mercosul-UE: 5 mil produtos brasileiros com imposto zero na Europa
5 mil produtos brasileiros com imposto zero na UE

Um novo capítulo para a economia brasileira foi aberto no último sábado, 17 de janeiro de 2026, com a assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. A medida promete revolucionar as exportações nacionais, concedendo acesso privilegiado ao mercado europeu.

Milhares de produtos com tarifa zero

Um levantamento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela o impacto imediato do tratado: mais de cinco mil produtos brasileiros poderão entrar na União Europeia sem a cobrança de impostos de importação. A isenção ocorrerá assim que o acordo entrar em vigor, abrindo uma via rápida para a indústria nacional.

De acordo com a análise da CNI, a maioria dos itens negociados, equivalente a 54% do total, terá suas tarifas zeradas de imediato no bloco europeu. Essa é uma das principais vantagens do acordo para o Brasil, que hoje responde por apenas 8% das importações mundiais de bens. A expectativa da entidade é que esse percentual dispare para impressionantes 36% com a vigência do novo marco comercial.

Proteção e transição gradual para a indústria sul-americana

Enquanto os produtos brasileiros ganham acesso imediato, a abertura do mercado sul-americano para os bens industriais europeus será mais lenta. O acordo estabelece um período de transição que visa proteger as indústrias do Mercosul, reconhecidamente menos competitivas no momento.

O Brasil terá um prazo entre 10 e 15 anos para reduzir gradualmente as tarifas de importação de 44% dos produtos europeus contemplados, o que representa mais de 4 mil itens diferentes. A CNI elogiou o mecanismo, afirmando em nota que ele "assegura uma transição gradual e previsível", dando tempo necessário para a adaptação do setor produtivo local.

Um marco para a inserção global do Brasil

A importância do setor industrial no comércio bilateral é enorme. Dados da CNI mostram que mais de 46% das vendas do Brasil para a Europa são de bens industriais. Na direção contrária, 98% dos produtos europeus comprados pelo Brasil vêm da indústria de transformação, um claro indicador do diferente grau de industrialização entre os blocos.

Para Ricardo Alban, presidente da CNI, a decisão é histórica. "O acordo é a decisão comercial mais importante para a indústria brasileira em décadas", declarou. Ele destacou que o tratado "garante acesso imediato ao mercado europeu, assegura tempo de adaptação para a indústria nacional e reposiciona o Brasil em um contexto de diversificação de parceiros".

Com a implementação, espera-se um aumento significativo na inserção da indústria brasileira no contexto global, atraindo novos investimentos e fomentando a geração de empregos e tecnologia no país.