Mercados em queda com juros altos nos EUA e incertezas políticas no Brasil
Mercados caem com juros altos nos EUA e crise política

Os mercados financeiros globais enfrentaram um dia de queda nesta terça-feira, impulsionados pela perspectiva de juros elevados nos Estados Unidos por mais tempo. Kevin Warsh, aprovado pelo Congresso para substituir Jerome Powell na presidência do Federal Reserve (Fed), prometeu uma agenda de redução das taxas de juros e encolhimento do balanço patrimonial. No entanto, a inflação em alta, agravada pela guerra no Golfo Pérsico, dificulta a concretização desses objetivos.

Dólar forte e bolsas em baixa

O dólar se fortaleceu frente às principais moedas, com alta de 0,50% contra o euro, 0,24% ante o iene, 0,59% em relação ao franco suíço e 0,11% frente ao yuan. No Brasil, a moeda americana subiu 0,92%, cotada a R$ 5,0432. As bolsas e o petróleo Brent também recuaram, com o barril sendo negociado a US$ 110,71, uma queda de 1,24%. O cenário reflete preocupações com a desaceleração global, inclusive na China.

O aumento da inflação nos últimos dois meses deixou os membros do Fed sem disposição para cortar os juros, como exigido pelo presidente Trump. O mercado de trabalho mostra sinais de estabilização, enfraquecendo os argumentos por flexibilização monetária. Segundo o Wall Street Journal, as projeções indicam que a taxa básica de juros nos EUA permanecerá em 3,75% até dezembro, acima da expectativa anterior de 3,50%.

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Pressões políticas agitam o mercado brasileiro

No Brasil, a escalada do dólar nos últimos dias não pode ser atribuída apenas ao desgaste da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência, após revelações sobre seu envolvimento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O mercado preferia o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para enfrentar Lula. No entanto, o clã Bolsonaro, que busca anistia para os crimes do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe, indicou o filho Flávio em dezembro.

Flávio tentou se apresentar como moderado, afirmando ser “o Bolsonaro que tomou vacina” e negando relações com Vorcaro. O mercado acabou assimilando sua candidatura quando Tarcísio decidiu concorrer à reeleição em São Paulo, adiando o sonho presidencial para 2030. A pesquisa DataFolha de sábado, colhida até quinta-feira (14 de maio), mostrou empate técnico entre Lula e Flávio no segundo turno. No entanto, a pesquisa Atlas/Intel/Bloomberg divulgada hoje, já captando as contradições do senador, revelou uma queda significativa: em abril, Flávio tinha 47,8% contra 47,5% de Lula; agora, Lula tem 48,9% e Flávio 41,8%. Na pesquisa espontânea para o primeiro turno, Flávio caiu de 39,7% para 34,3%, enquanto Lula subiu ligeiramente para 47%, aumentando suas chances de reeleição no primeiro turno.

Outro destaque é a ascensão de Renan Santos (Missão), músico e fundador do Movimento Brasil Livre, que aparece em terceiro lugar com 6,9%, à frente do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), com 5,2%. Isso indica cansaço da população com políticos tradicionais.

Risco de El Niño forte ameaça safras

O Bradesco analisou o boletim da NOAA, que aponta 67% de chance de um El Niño forte ou muito forte, com aquecimento acima de 2°C das águas do Pacífico. Isso eleva os riscos de mudanças climáticas com impactos nas safras agrícolas de 2026/27. Os últimos episódios de forte intensidade mostram riscos para o açúcar no Sudeste Asiático, qualidade do trigo no Brasil, produção de milho na segunda safra e perda de produtividade de soja no MATOPIBA (responsável por cerca de 10% da safra). Por outro lado, EUA e Argentina tendem a ter safras maiores de milho e soja, segundo estimativas do USDA.

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O mercado de milho está mais apertado, com queda da produção global puxada por EUA e Argentina. Já o balanço da soja está mais equilibrado, com aumento do consumo global sendo atendido pela alta da produção nos grandes produtores. No trigo, a queda da produção nos EUA foi maior que a esperada. A Índia proibiu as exportações de açúcar até 30 de setembro para proteger o mercado doméstico, estimando-se que 1,6 milhão de toneladas foram exportadas na safra 2025/26. A União Europeia decidiu barrar as importações de carne e animais vivos do Brasil, retirando o país da lista de conformidade sanitária, com possível entrada em vigor em setembro de 2026. Em 2025, a UE representou apenas 2,5% das exportações de bovinos brasileiros. A boa notícia é que o preço da ureia segue caindo pela terceira semana consecutiva no Brasil, após o pico de US$ 805 por tonelada em 20 de abril, com queda de 7% na última semana, chegando a US$ 670 por tonelada.