Ibovespa fecha em leve alta e dólar cai a R$ 4,97 em dia de tensões geopolíticas
Ibovespa sobe e dólar cai a R$ 4,97 com tensões EUA-Irã

Mercados financeiros reagem a tensões internacionais e projeções domésticas

Os mercados financeiros brasileiros apresentaram movimentos distintos nesta segunda-feira, 20 de abril de 2026, em um cenário marcado por incertezas internacionais e ajustes nas expectativas econômicas locais. O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores do país, registrou uma leve valorização de 0,20%, fechando a sessão em 196,1 mil pontos. Essa movimentação positiva ocorreu em meio a um ambiente global de apreensão, com investidores acompanhando de perto as tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã.

Dólar atinge menor cotação em mais de dois anos

Em contrapartida, o dólar comercial apresentou desempenho oposto, encerrando o pregão em leve baixa e sendo cotado a R$ 4,97. Este valor representa o menor patamar desde março de 2024, indicando uma certa estabilidade da moeda brasileira frente ao cenário internacional volátil. A queda da divisa norte-americana reflete, em parte, as expectativas dos agentes econômicos em relação às políticas monetárias e fiscais do Brasil.

Tensões entre EUA e Irã pressionam mercados globais

O cenário internacional foi fortemente influenciado pelas declarações do presidente americano Donald Trump, que afirmou nesta tarde que o cessar-fogo com o Irã termina "na noite de quarta-feira", 22 de abril. Trump acrescentou que é "improvável" haver uma prorrogação se os dois países não alcançarem um acordo até lá. Essa postura firme do mandatário norte-americano elevou as tensões no Oriente Médio e impactou diretamente os preços das commodities.

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Como consequência imediata, o preço do barril de petróleo Brent continuou pressionado, registrando uma alta de mais de 5% no dia. Essa escalada nos valores do petróleo reflete a preocupação dos mercados com possíveis interrupções no fornecimento global de energia, caso as negociações diplomáticas não avancem satisfatoriamente.

Boletim Focus revisa expectativas para a economia brasileira

No âmbito doméstico, os agentes de mercado receberam as novas projeções do Boletim Focus, publicação semanal do Banco Central que reúne as expectativas de economistas do setor privado. O documento elevou as previsões para a taxa básica de juros (Selic), que passou de 12,5% para 13% ao ano. Esse ajuste sinaliza uma perspectiva de maior rigidez na política monetária nos próximos meses.

Em relação à inflação, os especialistas consultados pelo Focus projetam que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve encerrar o ano de 2026 em 4,8%, valor que supera o teto da meta estabelecida pelo governo, que admite variação de até 4,5%. Essa projeção acima do esperado pode influenciar as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) nas próximas reuniões.

Bancos apresentam desempenho misto no pregão

Entre as ações de peso que compõem o principal índice da B3, os grandes bancos encerraram a sessão com desempenho majoritariamente negativo. O Bradesco (BBDC4) liderou as perdas, registrando uma queda de 1,08% no valor de suas ações. Na sequência, o Itaú (ITUB4) recuou 0,92%, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) apresentou baixa de 0,49%.

Em contraste, o Santander (SANB11) foi a exceção entre as instituições financeiras, fechando o dia com uma leve valorização de 0,03%. Essa performance mista do setor bancário reflete as diferentes estratégias e exposições de cada instituição frente aos cenários econômico e político em evolução.

Os mercados seguem atentos aos desdobramentos das negociações entre Estados Unidos e Irã, que devem definir o tom das operações nas próximas sessões. Paralelamente, as expectativas em relação à política econômica brasileira continuarão sendo monitoradas de perto pelos investidores, especialmente com a proximidade da próxima reunião do Copom.

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