Os Correios devem lançar uma nova edição do Programa de Desligamento Voluntário (PDV) em breve, após a primeira fase da iniciativa registrar adesão muito abaixo da expectativa da direção da estatal. O novo programa será voltado principalmente a funcionários de agências e centros logísticos que serão desativados no processo de reestruturação da empresa. A informação foi publicada pelo jornal O Globo e confirmada pela assessoria de imprensa dos Correios.
Primeira fase do PDV ficou aquém da meta
Na primeira rodada do PDV, encerrada neste ano, pouco mais de 3 mil empregados aderiram ao plano, distante da meta de 10 mil desligamentos estipulada pela companhia. O objetivo inicial da diretoria era reduzir em cerca de 12% o quadro de pessoal já em 2026, como parte das medidas desenhadas para equilibrar as contas da estatal.
Economia esperada de R$ 1,4 bilhão
A redução de despesas com pessoal é considerada central para o plano de recuperação financeira dos Correios. A empresa estima que, caso alcance a meta total de desligamentos prevista até 2027, poderá gerar uma economia de aproximadamente R$ 1,4 bilhão. A intenção da direção é chegar a cerca de 15 mil saídas voluntárias ao longo do período de reestruturação.
Contexto da crise financeira
O plano de reestruturação foi anunciado no fim de 2025 como contrapartida para a obtenção de um empréstimo de R$ 12 bilhões concedido por bancos privados, com garantia da União. A operação financeira foi articulada para evitar um agravamento da crise de caixa da estatal, que encerrou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões — mais de três vezes superior ao resultado negativo registrado no ano anterior.
Declarações do presidente dos Correios
Mesmo com o desempenho abaixo do esperado na primeira edição do programa, o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou recentemente que os resultados obtidos ficaram dentro do cenário considerado viável pela companhia. “Está coerente com o que precisávamos”, disse. “Temos 40% da economia projetada (com o PDV). Enxergamos um payback de cinco meses. Como o salário médio foi mais alto do que tínhamos projetado, o resultado deve ser maior”.
Outras medidas de reestruturação
Além do PDV, a reestruturação prevê fechamento de unidades, redução de gastos operacionais e mudanças na política interna de cargos e salários. Cerca de mil agências e centros de tratamento e distribuição devem ser fechados. Os detalhes da nova etapa do programa de demissões ainda estão sendo discutidos com a Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest), ligada ao Ministério da Gestão. A tendência, porém, é que as condições oferecidas aos trabalhadores dos Correios não sejam mais vantajosas do que as da edição anterior.



