O cenário político e econômico dos Estados Unidos enfrenta uma semana de alta tensão. Um novo capítulo no embate público entre o ex-presidente Donald Trump e o atual chefe do Federal Reserve, Jerome Powell, promete dominar os noticiários e influenciar os mercados globais.
O cerco político ao Federal Reserve
A crise ganhou um contorno dramático com a abertura de uma investigação criminal pela Procuradoria de Justiça dos EUA contra Jerome Powell. O inquérito, iniciado na semana passada, está relacionado a custos de obras na sede do banco central americano.
Em uma reação considerada extremamente dura pelos analistas, o presidente do Fed não se conteve. Powell divulgou uma nota oficial e gravou um vídeo, no dia 11 de janeiro de 2026, classificando a ação judicial como mais um "pretexto" da administração Trump para interferir na política monetária independente da instituição.
Em sua defesa, Powell afirmou ter "respeito profundo às regras e leis democráticas", mas acusou a investigação de ser um instrumento de pressão política. O objetivo, segundo ele, seria forçar uma redução mais rápida e agressiva das taxas de juros americanas.
A batalha pela independência monetária
O cerne do conflito é a autonomia do Federal Reserve. A administração de Donald Trump defende publicamente uma condução mais branda ("soft") da política monetária, com juros mais baixos para estimular a economia. Powell, por sua vez, é visto como um obstáculo a essa visão, insistindo em decisões baseadas em dados econômicos.
"A ameaça de acusações criminais é uma consequência do estabelecimento das taxas de juros do Federal Reserve com base em nossa melhor avaliação do que servirá ao público, em vez de seguir as preferências do Presidente", declarou Powell em seu comunicado.
Ele foi ainda mais direto ao questionar: "É sobre se o Fed será capaz de continuar a definir taxas de juros com base em evidências e condições econômicas – ou se, em vez disso, a política monetária será dirigida por pressão política ou intimidação".
Mercados reagem com fuga para segurança
A escalada da briga não passou despercebida pelos investidores. Nesta segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, o aumento da incerteza institucional levou a uma movimentação defensiva expressiva no mercado financeiro.
O reflexo mais imediato foi observado no preço do ouro, um ativo tradicionalmente procurado em momentos de instabilidade. Na abertura dos mercados internacionais, o metal precioso registrou fortes altas:
- O ouro à vista saltou 1,7%, atingindo US$ 4.584,74 por onça e chegou a tocar um recorde intradiário de US$ 4.600.
- Os contratos futuros de ouro para fevereiro nos EUA avançaram 2,1%, negociados a US$ 4.595.
Esse movimento sinaliza uma clara aversão ao risco por parte dos grandes investidores, que realocam recursos para ativos considerados mais seguros diante da possibilidade de uma crise institucional no coração do sistema financeiro global.
O desfecho desse embate histórico entre a Casa Branca e o Federal Reserve ainda é incerto. No entanto, uma coisa é clara: a independência do banco central americano, um pilar da economia global por décadas, está sob ataque direto e sem precedentes. As repercussões dessa batalha devem ecoar muito além de Wall Street, afetando economias e políticas monetárias em todo o mundo.