Inflação de 2025 fecha em 4,26%, dentro do teto da meta do governo
IPCA de 2025 fica em 4,26%, abaixo das projeções

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal termômetro da inflação no Brasil, apresentou uma alta de 0,33% em dezembro de 2025. Com esse resultado, o indicador acumulou uma variação de 4,26% no ano de 2025, conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 9 de janeiro de 2026.

Resultado anual dentro da meta e abaixo das expectativas

O índice anual de 4,26% ficou abaixo das projeções do mercado financeiro, que esperavam um fechamento em 4,30%. Mais importante, o resultado se manteve dentro do limite de tolerância da meta de inflação, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A meta tem centro de 3% e permite uma banda de tolerância de até 4,5%.

Em relação ao mês anterior, a inflação de dezembro (0,33%) acelerou frente à taxa de novembro, que foi de 0,18%, mas também ficou ligeiramente abaixo da expectativa para o último mês do ano, estimada em 0,35%.

Os vilões e os heróis da inflação em 2025

O grupo de despesas que mais pressionou o IPCA ao longo do ano foi o de Habitação, cujos preços saltaram de uma alta de 3,06% em 2024 para 6,79% em 2025. Sozinho, esse segmento contribuiu com 1,02 ponto percentual para o índice anual, mais que o dobro do impacto registrado no ano anterior (0,47 p.p.).

Na sequência dos maiores impactos, apareceram os grupos de Educação (6,22%, com impacto de 0,37 p.p.), Despesas pessoais (5,87%, impacto de 0,60 p.p.) e Saúde e cuidados pessoais (5,59%, impacto de 0,75 p.p.). Juntos, esses quatro grupos foram responsáveis por aproximadamente 64% de toda a inflação acumulada em 2025.

Por outro lado, um alívio significativo veio do grupo Alimentação e bebidas, o de maior peso no cálculo do índice. Ele desacelerou fortemente, caindo de 7,69% em 2024 para 2,95% em 2025. Esse comportamento foi puxado principalmente pela alimentação no domicílio, que teve uma desaceleração drástica, passando de 8,23% para apenas 1,43%.

Um dos menores resultados da história recente

Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa de preços do IBGE, destacou a relevância histórica do número. O índice de 4,26% de 2025 se configura como o quinto menor da série histórica iniciada com o Plano Real, há 31 anos. Apenas os anos de 1998 (1,65%), 2017 (2,95%), 2006 (3,14%) e 2018 (3,75%) registraram taxas inferiores.

Um detalhe interessante no comportamento dos preços de alimentos ao longo do ano foi a sequência de deflações. Entre os meses de junho e novembro, a alimentação no domicílio acumulou seis meses consecutivos de queda, somando uma retração de 2,69%. Nos demais meses do ano, a alta acumulada foi de 4,23%.

O desempenho da inflação em 2025, dentro da meta estabelecida pelas autoridades, traz um cenário de relativa estabilidade para os preços ao consumidor, embora setores específicos, como habitação, continuem apresentando pressões significativas que demandam atenção.