O aplicativo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) voltou a operar normalmente neste domingo, 18 de janeiro de 2026, após ficar fora do ar no dia anterior devido a uma sobrecarga de acessos. A ferramenta, essencial para que correntistas e investidores do extinto Banco Master solicitem a restituição de seus valores, já está processando aproximadamente 9 mil pedidos por hora, conforme informou o próprio fundo.
Estabilidade após o pico de acessos
O processo de ressarcimento foi oficialmente iniciado pelo FGC no sábado, 17 de janeiro. No entanto, o pico de acessos simultâneos – que ultrapassou 140 mil usuários nas primeiras horas – sobrecarregou o sistema e derrubou o serviço. A situação foi normalizada ao longo do domingo.
Em comunicado, o FGC afirmou que o aplicativo opera em condições normais, embora "pontualmente volumes anormais de acessos simultâneos ainda causem alguma lentidão". A capacidade de processamento atual é de cerca de 2,5 solicitações por segundo.
Andamento dos pedidos e início dos pagamentos
Até o momento, do total estimado de 800 mil credores do Banco Master, cerca de 369 mil pedidos já foram registrados através do aplicativo. Desse número, aproximadamente 150 mil credores já concluíram todo o processo de solicitação, incluindo o envio de documentos e a comprovação de identidade, e tiveram seus casos encaminhados para a fase de pagamento.
Os desembolsos começam nesta segunda-feira, 19 de janeiro, marcando o início do maior processo de indenização da história do FGC. O fundo é um mecanismo privado, mantido pelas próprias instituições financeiras, que atua como um seguro para correntistas e investidores.
Como funciona a garantia do FGC
O FGC assegura a devolução de valores de até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira. O limite cobre a soma do valor aplicado e dos rendimentos, contabilizados até a data da liquidação do banco – no caso do Master, 18 de novembro de 2025. A partir dessa data, as aplicações deixam de render.
O processo no aplicativo é iniciado com a identificação automática do investidor, mas é necessário que o usuário complete seu cadastro e solicite ativamente o reembolso.
O rombo do Master e o maior desembolso da história
A liquidação do Banco Master foi decretada pelo Banco Central há exatos dois meses, em 18 de novembro. O banco, conhecido por sua estratégia agressiva e oferta de investimentos com rentabilidade acima da média, entrou em colapso devido a uma grave crise de solvência e a investigações de fraudes, com ativos declarados de forma inflada.
O rombo a ser coberto pelo FGC é da ordem de R$ 40 bilhões, valor que corresponde a cerca de metade de todo o patrimônio do fundo garantidor. Este será, de longe, o maior desembolso realizado pelo FGC desde sua criação na década de 1990.
A liberação do processo de restituição dependia do envio da lista final de clientes afetados ao FGC, etapa que foi concluída, permitindo o início das solicitações em massa neste final de semana.