Bancos federais iniciam oferta de R$ 500 milhões para reconstrução em Juiz de Fora e Ubá
O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal deram início, na terça-feira (7), a uma operação crucial de apoio à recuperação econômica das cidades de Juiz de Fora e Ubá, severamente impactadas pelas fortes chuvas que assolaram a região no final de fevereiro. O temporal, de proporções devastadoras, resultou em 74 vítimas fatais e deixou milhares de pessoas desabrigadas, configurando um dos piores desastres naturais recentes na Zona da Mata mineira.
Linhas de crédito especiais para empresas e produtores rurais
As instituições financeiras federais estão disponibilizando um montante total de R$ 500 milhões em linhas de crédito especiais, destinadas exclusivamente a empresas e produtores rurais das localidades onde o Governo Federal reconheceu estado de calamidade pública. Os recursos, provenientes do superávit financeiro do Fundo Social, foram autorizados pela Medida Provisória nº 1.337/2026, representando um esforço coordenado para mitigar os danos econômicos causados pela catástrofe.
Funcionamento e modalidades do financiamento
Nesta fase inicial, o foco principal será a liberação de recursos para capital de giro, visando garantir a continuidade operacional das empresas afetadas. Posteriormente, serão abertas modalidades específicas para:
- Reconstrução de instalações físicas danificadas ou destruídas;
- Aquisição de máquinas e equipamentos necessários para retomar as atividades produtivas.
As operações contam com o apoio do Fundo Garantidor para Operações (FGO), mecanismo que visa facilitar o acesso ao crédito para micro, pequenas e médias empresas. É importante destacar que o risco integral dessas operações será assumido pelos próprios bancos, conforme determinação regulatória.
Limites financeiros e condições das taxas
Os limites de financiamento foram estabelecidos de forma escalonada, considerando o perfil e o faturamento de cada beneficiário:
- Pessoas físicas (Agro/Pesca/Florestal): Até R$ 200 mil.
- Micro e pequenas empresas: Até R$ 500 mil.
- Empresas com receita de até R$ 300 milhões: Até R$ 5 milhões.
- Empresas de grande porte: Até R$ 10 milhões para capital de giro ou R$ 50 milhões para reconstrução e aquisição de máquinas.
Os encargos financeiros serão compostos pela remuneração das instituições financeiras e do Fundo Social. O spread dos agentes financeiros está limitado a 4,5% ao ano. Para operações de capital de giro, a remuneração ao Fundo Social varia entre 2% e 6% ao ano, dependendo da renda e do porte da empresa. Já para operações destinadas à reconstrução, aquisição de máquinas e equipamentos, a remuneração será fixada em 1% ao ano para todos os beneficiários, independentemente de seu tamanho.
Como solicitar o financiamento
Os interessados em acessar essas linhas de crédito devem procurar diretamente as agências do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica Federal em Juiz de Fora, Ubá ou regiões próximas. O prazo para apresentação dos pedidos de financiamento está estabelecido até o dia 4 de julho de 2026, conforme regulamentação do Conselho Monetário Nacional (CMN).
Segundo esclarecimentos do governo, a utilização desses recursos não impactará o resultado primário do setor público, uma vez que as instituições financeiras assumem integralmente o risco das dívidas. Esta medida se soma a outras ações emergenciais já implementadas, como o auxílio de R$ 7,3 mil para famílias atingidas, que devem confirmar seus dados para receber o benefício.
A iniciativa representa um passo fundamental na longa jornada de reconstrução das cidades mineiras, oferecendo um alívio financeiro crucial para empresários e produtores rurais que enfrentam os desafios de recuperar seus negócios após a tragédia climática.



