Os números mais recentes da indústria brasileira revelam um cenário de estagnação no mês de novembro, marcado por uma forte disparidade regional. De acordo com a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, 14 de janeiro de 2026, a produção industrial ficou estável (0,0%) na comparação com o mês de outubro.
Queda anual e panorama regional desigual
Quando comparado ao mesmo período do ano anterior, o quadro é mais preocupante: a produção industrial registrou uma queda de 1,2% em novembro de 2026 frente a novembro de 2025. Apesar do resultado neutro no agregado nacional, a pesquisa destaca um cenário bastante desigual entre os estados.
Do total de 15 locais investigados pelo IBGE, oito apresentaram crescimento na produção em novembro. Os destaques positivos ficaram com:
- Mato Grosso: avanço de 7,2%, marcando o quarto mês consecutivo de alta e uma expansão acumulada de 16,9% no período, impulsionado principalmente pelos produtos químicos.
- Espírito Santo: crescimento de 4,4%, revertendo a queda observada em outubro, com destaque para os setores de metalurgia e indústrias extrativas.
Outros estados que tiveram desempenho positivo foram Paraná (1,1%), Pernambuco (0,9%), Minas Gerais (0,9%), Bahia (0,9%), Rio Grande do Sul (0,6%) e a região Nordeste (0,1%).
Quedas expressivas no maior polo industrial do país
Na contramão da estabilidade nacional, sete locais registraram recuo na produção. A queda mais expressiva foi em Goiás (-6,4%), que interrompeu uma sequência de quatro meses de crescimento. Amazonas (-2,8%), Ceará (-2,6%), Rio de Janeiro (-1,9%), Santa Catarina (-0,8%) e Pará (-0,5%) também fecharam o mês no vermelho.
O dado mais alarmante, porém, vem do principal motor da indústria nacional. São Paulo, que concentra cerca de 33% do parque industrial brasileiro, registrou uma queda de 0,6% em novembro. Este foi o terceiro mês consecutivo de recuo, acumulando uma perda de 2,9% no trimestre.
A situação do estado é ainda mais crítica em uma perspectiva histórica. O nível atual da produção industrial paulista está 2,8% abaixo do patamar pré-pandemia e impressionantes 23,8% abaixo do pico histórico alcançado em 2011.
Conclusões e perspectivas
Os dados da PIM Regional de novembro pintam um retrato de duas velocidades para a indústria brasileira. Enquanto alguns estados, especialmente no Centro-Oeste e Sudeste (fora São Paulo), mostram dinamismo e recuperação, o coração industrial do país enfrenta uma desaceleração persistente.
A estagnação no agregado nacional mascara fragilidades importantes, sendo a contínua retração em São Paulo um sinal de alerta para a economia como um todo. A capacidade de reação do polo paulista nos próximos meses será um fator determinante para o desempenho do setor industrial em 2026.