Os mercados financeiros seguem sob influência do cenário geopolítico internacional, e o pregão desta sexta-feira, 8, foi marcado por otimismo. O principal motor do bom humor foi a expectativa de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou que seu país aguarda uma resposta iraniana à proposta de encerramento do conflito no Oriente Médio.
Ibovespa em alta
Com esse cenário, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou o dia em alta de 0,49%, atingindo 184,1 mil pontos. O movimento foi impulsionado pela redução da aversão ao risco global e pelo fluxo de capital estrangeiro para mercados emergentes.
Payroll americano
Outro fator que influenciou os mercados foi a divulgação do payroll, o relatório oficial de empregos dos Estados Unidos. Em abril, a economia americana gerou 115 mil novas vagas fora do setor agrícola, número acima das expectativas dos analistas, mas inferior ao ritmo de março. A taxa de desemprego permaneceu estável em 4,3%, conforme o esperado.
Os dados do mercado de trabalho têm impacto direto na política monetária do Federal Reserve (Fed). Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, os números reforçam a perspectiva de uma pausa prolongada nos cortes de juros. “O mercado de trabalho continua firme e a inflação está subindo. O debate agora migra de ‘quando cortar os juros’ para ‘será preciso subir?’. O CPI da próxima semana dará o próximo sinal”, afirmou.
Dólar em queda
Enquanto isso, o real mantém trajetória de valorização. O dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 4,89, o menor valor desde janeiro de 2024. No acumulado do ano, a moeda americana já recuou mais de 10%.
Rafael Pastorello, portfólio manager do Banco Sofisa, explica que o movimento reflete fundamentos consistentes: “O fluxo estrangeiro é atraído pelos juros domésticos elevados e pelo forte desempenho das exportações de commodities, especialmente petróleo, que sustentam a entrada de divisas no país”.
Perspectivas
Os investidores agora aguardam os próximos desdobramentos das negociações de paz no Oriente Médio e os dados de inflação dos EUA, que podem definir os rumos da política monetária global. No Brasil, a atenção se volta para a continuidade do fluxo de capital estrangeiro e o desempenho das commodities.



