Guerra no Oriente Médio pode elevar inflação brasileira a 7,66% e frear crescimento, alerta FIEMG
Guerra no Oriente Médio pode levar inflação a 7,66% no Brasil

Guerra no Oriente Médio pode elevar inflação brasileira a 7,66% e frear crescimento, alerta FIEMG

O agravamento do conflito no Oriente Médio tem o potencial de desencadear um novo choque inflacionário no Brasil e desacelerar a economia em 2026, conforme estudo divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG). A projeção mais crítica indica que a inflação no país pode atingir até 7,66%, impulsionada principalmente pela alta nos preços de energia e insumos estratégicos, como fertilizantes. Simultaneamente, a atividade econômica tende a sofrer um impacto negativo, embora mais moderado em comparação com os efeitos sobre os preços.

Três cenários e impacto crescente no comércio global

O levantamento da FIEMG trabalha com três níveis de intensidade do conflito, todos relacionados a restrições no comércio global, especialmente no Estreito de Ormuz, rota por onde passa aproximadamente um terço do petróleo transportado por via marítima no mundo. No cenário moderado, com redução de 30% nas exportações da região, a inflação subiria até 2,29%, com efeitos pontuais na economia. No cenário severo, com queda de 60%, o impacto inflacionário alcançaria 4,60%, já com maior disseminação ao longo da cadeia produtiva. No cenário extremo, que considera a interrupção total das exportações, o choque se amplia significativamente: a inflação pode chegar a 7,66%, com efeitos mais profundos nas cadeias produtivas globais e na estabilidade dos mercados internacionais.

Energia e fertilizantes no centro da pressão inflacionária

O principal canal de transmissão do impacto para o Brasil é o aumento de custos em setores-chave. A alta do petróleo encarece combustíveis e energia elétrica, afetando diretamente o transporte, a logística e a produção industrial. Ao mesmo tempo, o encarecimento de fertilizantes, dos quais o Brasil é fortemente dependente de importações, pressiona o custo dos alimentos, criando um efeito em cascata que tende a chegar rapidamente ao consumidor final. Esse movimento eleva o índice de preços mesmo sem uma queda proporcional da demanda, exacerbando a inflação em um contexto de incerteza global.

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Crescimento econômico sofre, mas de forma limitada

Em contraste com a inflação, o impacto sobre a atividade econômica deve ser mais contido, segundo a análise da FIEMG. Nos diferentes cenários, a queda do Produto Interno Bruto (PIB) varia entre -0,04% e -0,12%. No entanto, o efeito pode se intensificar em setores mais sensíveis ao custo de energia e insumos importados, como a indústria de transformação, o transporte e o agronegócio. Esse cenário reflete um padrão típico de choques externos: pressão forte sobre os preços, mas impacto mais gradual sobre o crescimento, o que pode complicar as decisões de política econômica.

Efeito global amplia incerteza e volatilidade nos mercados

O estudo aponta que o conflito também tende a gerar uma desaceleração moderada da economia global, acompanhada de inflação mais disseminada, especialmente em países dependentes de importação de energia. A instabilidade nas rotas marítimas e nas cadeias produtivas aumenta a volatilidade dos mercados internacionais, dificultando previsões e decisões de investimento. Esse tipo de choque lembra episódios anteriores, como a crise do petróleo nos anos 1970 e, mais recentemente, os efeitos da guerra na Ucrânia sobre energia e alimentos, destacando a vulnerabilidade da economia brasileira a crises geopolíticas.

Ganhos pontuais não compensam pressão inflacionária generalizada

Apesar do cenário adverso, há efeitos positivos pontuais que podem surgir. A valorização de commodities pode elevar a arrecadação ligada ao setor petrolífero no Brasil, com potencial de crescimento de até 5% em 12 meses. Contudo, esses ganhos não seriam suficientes para compensar a pressão inflacionária generalizada, segundo o estudo. Para o economista-chefe da FIEMG, o principal risco está na natureza do choque: ele encarece custos ao longo de toda a economia, reduzindo a competitividade da indústria e pressionando os consumidores, o que pode levar a um ciclo prolongado de inflação elevada.

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Política econômica sob pressão em meio a cenário complexo

Com inflação mais alta e crescimento mais fraco, o cenário coloca desafios adicionais para a política econômica brasileira. O avanço dos preços pode dificultar cortes de juros, enquanto a desaceleração da atividade limita o espaço para estímulos fiscais. O resultado é um ambiente mais complexo para a condução da economia em 2026, em meio a um cenário global ainda instável. Se o conflito no Oriente Médio se prolongar ou se intensificar, os efeitos tendem a se estender no tempo, reforçando o risco de um novo ciclo de inflação elevada no país e exigindo medidas coordenadas para mitigar os impactos.