Dólar fecha estável em R$ 4,992 após otimismo perder força no mercado financeiro
Dólar fecha estável em R$ 4,992 com otimismo perdendo força

Dólar mantém estabilidade em R$ 4,992 enquanto otimismo no mercado financeiro perde força

O dólar comercial fechou praticamente estável nesta quarta-feira (15), registrando uma discreta queda de 0,01% e sendo cotado a R$ 4,992. O movimento ocorreu após o otimismo que dominou os últimos pregões dar lugar a um tom mais cauteloso entre os investidores, que passaram a demonstrar maior aversão ao risco ao longo do dia.

Apesar da leve desvalorização, a moeda norte-americana manteve-se no menor patamar desde 27 de março de 2024, quando havia encerrado a R$ 4,980. Este é o terceiro pregão consecutivo em que o dólar fecha abaixo da barreira psicológica dos R$ 5, demonstrando uma tendência de enfraquecimento recente.

Bolsa de Valores acompanha movimento de cautela

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, recuou 0,46%, fechando aos 197.737 pontos e devolvendo parte dos ganhos acumulados recentemente. O desempenho do mercado acionário nacional acompanhou um cenário global misto, com as principais bolsas europeias registrando quedas significativas.

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Na Europa, o índice Euro STOXX 600, referência para a União Europeia, recuou 0,74%, enquanto as bolsas de Londres (-0,47%), Paris (-0,64%), Madri (-0,55%) e Milão (-0,04%) também fecharam no vermelho. Em contraste, os mercados norte-americanos apresentaram desempenhos divergentes, com o S&P 500 avançando 0,80% e o Nasdaq subindo 1,59%, enquanto o Dow Jones registrou queda de 0,15%.

Negociações de paz entre EUA e Irã permanecem no radar

Os analistas continuaram monitorando de perto a possível retomada das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, um fator que tem influenciado significativamente o sentimento do mercado nas últimas semanas. Entretanto, a ausência de novidades relevantes no conflito geopolítico contribuiu para o arrefecimento do otimismo que havia levado a moeda norte-americana a cair abaixo dos R$ 5.

"Nos últimos dias, temos observado um ambiente global de maior apetite por risco, o que vem beneficiando moedas de países emergentes, incluindo o real. Esse cenário positivo ainda persiste, mas começou a perder força diante da ausência de novos fatos", afirmou Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX.

Nesta quarta-feira, a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, reafirmou que as conversas entre Estados Unidos e Irã estão em andamento e que o governo de Donald Trump mantém otimismo quanto à possibilidade de um acordo para o fim do conflito. "Continuamos muito engajados nessas conversas, vocês ouviram do vice-presidente [J. D. Vance] e do presidente [Trump] nesta semana que essas conversas estão sendo produtivas e estão em andamento", declarou.

Contexto geopolítico mais amplo

Além das negociações entre Irã e Estados Unidos, representantes do Líbano e de Israel reuniram-se na terça-feira em Washington para iniciar tratativas com o objetivo de interromper os ataques e a ocupação israelense no território libanês. O encontro terminou sem um anúncio formal de cessar-fogo, mas com o compromisso de que Beirute e Tel Aviv realizarão negociações diretas no futuro, sem mediação americana.

Líbano e Israel estão formalmente em guerra desde a criação do Estado judeu em 1948, e raramente trataram de suas relações por vias diplomáticas. Embora histórica sob essa perspectiva, a negociação desta terça-feira foi vista apenas como um primeiro passo na tensa relação entre os vizinhos do Oriente Médio.

Tel Aviv realizou seu maior ataque ao Líbano no mesmo dia em que o cessar-fogo de duas semanas entre EUA e Irã foi anunciado. O ataque teve como objetivo enfraquecer o Hezbollah, facção libanesa apoiada pelo Irã. Washington busca avançar no fim das hostilidades entre Israel e Hezbollah e exerce pressão sobre Tel Aviv, uma vez que a trégua no Líbano é uma das condições de Teerã para um acordo de paz duradouro em seu território.

Cenário de negociações impulsiona fluxo para mercados emergentes

O ambiente de negociações tem impulsionado o otimismo dos investidores, que ampliaram a busca global por ativos de risco. Esse comportamento beneficia o fluxo de capitais para mercados emergentes, como é o caso do Brasil, contribuindo para a recente desvalorização do dólar.

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O país se valoriza pelo diferencial de juros com os Estados Unidos e pela distância geográfica em relação ao conflito no Oriente Médio. A isso soma-se a retomada do fluxo de investimentos estrangeiros para economias emergentes, movimento que no início deste ano levou o dólar a R$ 5,12 e a Bolsa brasileira a bater diversos recordes em fevereiro.

Contudo, esse fluxo foi interrompido com a escalada da guerra no Irã. Com o anúncio do cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos em 7 de abril, o otimismo retornou ao mercado, reduzindo a aversão ao risco global e reacendendo o apetite dos investidores por ativos de mercados emergentes.

Incertezas persistem no cenário internacional

Apesar do cenário mais positivo, algumas incertezas continuam pairando sobre o mercado. O bloqueio dos Estados Unidos ao estreito de Hormuz, determinado por Donald Trump no domingo (12), permanece em vigor. O comando militar do Irã ameaça agir para conter o comércio pelo mar Vermelho caso o bloqueio naval imposto pelos norte-americanos aos portos do país não seja levantado.

Essa via marítima tem sido utilizada por empresas para desviar das tensões entre os países, inclusive por companhias do agronegócio brasileiro. A medida dos EUA foi uma resposta à cobrança de pedágio feita pelo Irã para embarcações que utilizam suas rotas.

Em vez de reabrir a passagem, como previsto inicialmente na trégua, Teerã estabeleceu uma rota alternativa que, segundo o governo iraniano, evita minas colocadas pela própria teocracia e passa por suas águas territoriais. Para utilizar essa rota, um petroleiro precisaria pagar US$ 1 em criptomoedas por barril de óleo transportado.

Pesquisa eleitoral repercute entre investidores

Ainda durante o pregão, uma pesquisa Genial/Quaest sobre a eleição presidencial de outubro repercutiu entre os investidores brasileiros. No primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 37% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) soma 32%. Bem mais atrás aparecem Ronaldo Caiado (PSD), com 6%, e Romeu Zema (Novo), com 3%, entre outros candidatos.

Em um possível segundo turno, Flávio Bolsonaro teria 42% das intenções de voto contra 40% de Lula, segundo a pesquisa, que possui margem de erro de 2 pontos percentuais. Esses dados políticos também são acompanhados de perto pelo mercado financeiro, que avalia possíveis impactos nas políticas econômicas futuras.