Dólar atinge menor patamar desde maio de 2024, cotado a R$ 5,16, e Ibovespa registra queda de 0,88%
O mercado financeiro brasileiro apresentou movimentos significativos nesta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, com o dólar fechando em baixa e o Ibovespa recuando. A moeda americana foi cotada a R$ 5,16, alcançando seu menor valor desde maio de 2024, enquanto o principal índice da B3, o Ibovespa, registrou uma desvalorização de 0,88%, fechando em 188,8 mil pontos.
Realização de lucros e impacto das tarifas de Trump
O recuo do Ibovespa reflete um movimento de realização de lucros após o recorde histórico atingido no último pregão. Paralelamente, os mercados globais continuam impactados pelas reverberações da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que, na última sexta-feira, julgou ilegal e obrigou a suspensão da maior parte das tarifas aplicadas pelo presidente Donald Trump a todos os países do mundo ao longo do ano passado.
Diante da decisão judicial, o republicano anunciou inicialmente uma tarifa geral de 10%, posteriormente elevada para 15%. A alíquota entra em vigor amanhã e terá validade de 150 dias, dependendo de nova autorização do Congresso. Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, a medida de Trump "reforça a percepção de uma política econômica errática por parte da maior economia do planeta, com alta imprevisibilidade e que pode gerar riscos relevantes ao crescimento global".
Queda do dólar e revisão de projeções econômicas
A moeda americana também é afetada e cai mundialmente devido à perda de importância relativa enquanto reserva de valor. No cenário doméstico, o Boletim Focus revisou para baixo, pela sétima semana consecutiva, a projeção de inflação para 2026. Segundo economistas consultados pelo Banco Central, a estimativa para o IPCA recuou de 3,95% para 3,91%, o que, apesar de otimista, ainda está acima da meta de 3% definida pelo governo.
Além disso, o mercado projeta que a Selic, a taxa básica de juros, termine este ano em 12,13%, ante 12,25% indicados na pesquisa anterior. Essas revisões refletem um cenário de ajustes nas expectativas econômicas, influenciado tanto por fatores internos quanto externos.
Desempenho negativo do setor financeiro no Ibovespa
Entre as ações de peso no principal índice da B3, o setor financeiro sofreu e impulsionou o desempenho negativo. Entre os bancões, o Santander (SANB11) liderou as perdas, com forte baixa de 5,69%, seguido pelo Itaú (ITUB4), que recuou 3,62%. O Bradesco (BBDC4) caiu 2,44%, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) teve desvalorização mais moderada, de 0,59%.
Esses movimentos destacam a sensibilidade do mercado financeiro brasileiro a eventos globais e a políticas econômicas internacionais, com impactos diretos nos investimentos e na economia doméstica.