Concurso da Câmara de Goiânia é alvo de investigação por suspeita de irregularidade
O Instituto Verbena, vinculado à Universidade Federal de Goiás (UFG), emitiu uma nota oficial informando que o servidor aprovado em primeiro lugar no concurso público da Câmara Municipal de Goiânia não participou da elaboração da prova para o cargo de administrador. A manifestação foi divulgada após a repercussão do caso, que passou a ser investigado pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) por suspeita de irregularidade no certame, realizado no dia 15 de março.
Suspeita de conflito de interesses
Segundo o Instituto Verbena, o próprio candidato, identificado como Luã Lírio, comunicou ainda em dezembro do ano passado um possível conflito de interesses e solicitou o afastamento de todas as atividades relacionadas ao concurso. A instituição afirma que, a partir desse momento, bloqueou todos os acessos dele aos sistemas e arquivos do certame. De acordo com o Verbena, uma auditoria interna confirmou que o servidor não participou da organização específica da prova aplicada para o cargo ao qual concorreu. O instituto também reforçou que o processo ocorreu com total transparência e segurança.
Repercussão e investigação
A suspeita surgiu após o resultado preliminar do concurso da Câmara de Goiânia apontar Luã Lírio, servidor ligado ao Instituto Verbena (UFG), como primeiro colocado para o cargo de administrador. Como o instituto foi responsável pela organização do certame, o fato de um funcionário da banca ter participado da seleção levantou questionamentos sobre possível conflito de interesses e eventual acesso a informações privilegiadas. O caso veio à tona após a divulgação do resultado, gerando dúvidas sobre a lisura do processo.
Em nota, a Câmara Municipal de Goiânia informou que encaminhou o caso ao Ministério Público e que a Comissão Permanente de Concurso Público solicitou providências para apuração. Já a Universidade Federal de Goiás declarou que vai acompanhar o caso e adotar as medidas cabíveis, caso sejam confirmadas irregularidades. O concurso ofereceu 62 vagas, com salários que ultrapassam R$ 10 mil, e contou com cerca de 34 mil candidatos. Até o momento, o certame segue válido e não foi suspenso. O Ministério Público de Goiás continua apurando o caso.
Detalhes do concurso e contexto
O concurso público da Câmara Municipal de Goiânia, realizado no último dia 15 de março, atraiu milhares de candidatos em busca de uma vaga com salário atrativo. Luã Lírio de Souza Cruz foi aprovado em primeiro lugar para o cargo de administrador, com remuneração de R$ 10.059,32. Registros mostram que ele esteve em evento representando o Instituto Verbena cinco dias antes da aplicação do concurso, o que aumentou as suspeitas sobre sua participação no processo seletivo.
O Instituto Verbena, responsável pela organização do certame, reiterou em sua nota que tomou todas as precauções necessárias para evitar qualquer tipo de favorecimento. A instituição destacou que o servidor foi afastado das atividades relacionadas ao concurso assim que comunicou o possível conflito de interesses, e que uma auditoria interna não encontrou indícios de sua participação na elaboração da prova específica para o cargo de administrador.
A investigação do Ministério Público de Goiás busca esclarecer se houve violação das normas que regem os concursos públicos e se o processo seletivo foi conduzido com a devida imparcialidade. Enquanto isso, a Câmara Municipal de Goiânia e a UFG aguardam o desfecho das apurações para tomar as medidas necessárias. O caso reforça a importância da transparência e da fiscalização nos processos de seleção pública, especialmente quando envolvem servidores ligados às bancas organizadoras.



