O estado do Rio de Janeiro ganhou uma supertrilha de 3.500 quilômetros que conecta unidades de conservação e cartões-postais em todas as suas regiões. Batizada de “Volta ao Rio”, a rota foi lançada no início do mês e integra trilhas já consolidadas, como a Transcarioca, que atravessa a capital, além de trechos para bicicleta e até caiaque.
Trilha em etapas
De acordo com os organizadores, aproximadamente 60% do trajeto já está sinalizado, e o processo de sinalização continua em andamento. Não é necessário percorrer todo o percurso de uma só vez: a trilha pode ser realizada em etapas, conforme a disponibilidade de cada pessoa e em diferentes épocas do ano. Dessa forma, é possível aproveitar as baixas temperaturas do Parque Nacional do Itatiaia e o sol quente da Região dos Lagos.
Entre os trechos incluídos nos 3.500 km estão a Travessia Petrópolis-Teresópolis, pelo Parque Nacional da Serra dos Órgãos; um passeio de remo pelo Rio Paraíba do Sul; e um percurso pelo Parque Nacional da Serra da Bocaina até Paraty.
Importância da trilha
Hugo de Castro Pereira, coordenador do projeto, explicou que “a Volta ao Rio é a junção de várias trilhas que hoje pertencem à Rede Brasileira de Trilhas — no final de uma começa a outra”. Ele acrescentou: “A gente entende que será a trilha mais importante do mundo.”
O percurso inclui pontos emblemáticos como o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar. Para percorrer toda a extensão, seriam necessários cerca de 90 dias.
Diferentes níveis de dificuldade
Embora não haja paredões de escalada nos 3.500 km, existem trechos que exigem preparo e técnica. “A gente passa pelo Caminho da Serra do Mar, que começa na subida de Magé, pelo Caminho do Ouro, e atravessa toda a Serra dos Órgãos, um trecho alto”, detalhou Hugo. “Tem um ponto mais difícil, uma ‘escalaminhada’ chamada Cavalinho, entre Petrópolis e Teresópolis”, citou.
Por outro lado, há muitos trechos para iniciantes. “As partes de praia são fáceis. Tem a Rota Cabista, em Arraial do Cabo, que é maravilhosa”, disse Hugo. “Grande parte da trilha é fácil”, completou.
Desenvolvimento econômico
Hugo destacou que a trilha colocará o Rio de Janeiro em um novo patamar no turismo de natureza mundial. “A Volta ao Rio materializa, na prática, a integração das regiões turísticas do estado em um único produto estruturante. É uma ferramenta concreta de regionalização do turismo, com impacto direto na geração de emprego, renda e conservação da biodiversidade”, afirmou.
Luiz Aragão partiu no dia 1º do Cristo Redentor com o objetivo de registrar todos os 3.500 km da Volta ao Rio. “Percorrê-la é validar, quilômetro a quilômetro, que o turismo de aventura é uma indústria limpa, capaz de profissionalizar o morador do campo e injetar recursos diretamente no comércio local”, disse. “As trilhas de longo curso são corredores vitais que levam o desenvolvimento econômico aonde nenhuma outra infraestrutura chega”, prosseguiu.
Do Cristo, Aragão desceu até o Centro do Rio, seguiu de barca para Paquetá, atravessou de barco particular até Mauá (Magé), iniciou a subida rumo a Petrópolis e fez a travessia até Teresópolis, pernoitando por três noites. Na última atualização, ele estava no Parque Estadual dos Três Picos, seguindo em direção a Nova Friburgo.
Parcerias e expansão
A iniciativa é conduzida de forma integrada pela Rede Brasileira de Trilhas, pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e pela Companhia de Turismo do Estado do Rio de Janeiro (TurisRio), com apoio do Ministério do Meio Ambiente, do Ministério do Turismo e das prefeituras que aderiram ao projeto. O projeto segue em expansão para integrar, progressivamente, todos os 92 municípios do estado.



