Na sexta-feira, 3 de maio de 1957, três anos antes da inauguração oficial de Brasília, ocorreu a primeira missa da futura capital federal. A celebração religiosa reuniu mais de 15 mil pessoas na Praça do Cruzeiro, localizada no Eixo Monumental, ponto mais alto da cidade. O evento contou com uma mensagem enviada pelo Papa Pio XII e um discurso esperançoso do então presidente Juscelino Kubitschek, conforme registros do governo do Distrito Federal.
Contexto histórico e preparativos
Como ainda não existiam igrejas em Brasília, a missa foi realizada ao ar livre, na Praça do Cruzeiro. Antes da cerimônia, o presidente JK recebeu autoridades políticas, religiosas e militares no aeroporto de Brasília, por volta das 10h. Entre os convidados estavam os governadores Paulo Sarazate, do Ceará, e José Ludovico, de Goiás. Cerca de 40 aviões pousaram na capital, incluindo uma aeronave que transportou a imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil e madrinha de Brasília.
A celebração
Após a recepção, uma carreata percorreu aproximadamente 10 quilômetros até a Praça do Cruzeiro, onde uma cruz de madeira havia sido erguida e um altar montado. A missa começou às 11h20 e foi presidida pelo cardeal e arcebispo de São Paulo, Dom Carlos Carmelo Mota. Antes da celebração, ele batizou um bebê nascido na capital, que teve como padrinho o próprio presidente JK. Palavras de fé, orações e músicas marcaram o encontro, que reuniu milhares de brasileiros.
Durante a missa, foi lida a mensagem do Papa Pio XII endereçada a JK. O pontífice abençoou o evento e pediu que Deus continuasse a derramar favores celestes sobre a nação brasileira, para que progredisse e prosperasse à luz do Evangelho e dos ensinamentos da Igreja.
Discurso de JK
JK acompanhou a missa da primeira fila, ao lado do vice-presidente João Goulart. Ao final, ele discursou com entusiasmo: "Hoje é o dia de Santa Cruz, dia em que a capital recém-nascida recebe o seu batismo cristão; dia em que nela se verifica, pela vez primeira, o mistério da transformação do pão em carne e sangue do Salvador do Mundo; dia em que a cidade do futuro, a cidade que representa o encontro da pátria brasileira com o seu próprio centro de gravitação, recolhe a sua alma eterna, a substância divina do Salvador".
Após a missa, JK concedeu autógrafos e recebeu 20 indígenas. Os visitantes então retornaram ao aeroporto, enquanto a capital se preparava para ser erguida. Detalhes do evento estão registrados na Revista Brasília, periódico da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) publicado entre 1957 e 1963, e no Arquivo Público do DF.



