O Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac) realizou o escoramento da marquise do prédio do antigo Cine Teatro Jandaia, localizado no Centro de Salvador. A medida preventiva visa garantir a segurança e a preservação da estrutura do imóvel histórico, que se encontra fechado e apresenta sinais de degradação acumulados ao longo dos anos. Segundo o órgão, a ação busca evitar riscos iminentes diante do estado de conservação do edifício.
Concurso de arquitetura para restauro
Paralelamente ao escoramento, o Ipac informou que trabalha na viabilização de um concurso de arquitetura voltado ao restauro do equipamento cultural. A iniciativa pretende reunir propostas técnicas que orientem um futuro projeto de requalificação, com o objetivo de recuperar o espaço e reinseri-lo no circuito cultural baiano.
Importância histórica e arquitetônica
Inaugurado em 1931, o imóvel possui relevante importância arquitetônico-histórica, com influências dos estilos Art Nouveau e Art Déco. O local recebeu uma extensa lista de artistas locais, nacionais e internacionais, consolidando-se como um dos principais cinemas de rua de Salvador. Desde 2010, o cine teatro é tombado como Patrimônio da Bahia.
História do Cine Teatro Jandaia
O Cine Teatro Jandaia foi inaugurado em 1911 pelo comerciante sergipano João Oliveira, dono da Panificadora Jandaia. Inicialmente, funcionava em um galpão na Baixa dos Sapateiros, com capacidade para 400 pessoas e exibição de filmes mudos. Fechado em 1927, foi reinaugurado em 3 de julho de 1931 após uma grande reforma e ampliação que incorporou oito imóveis vizinhos. O novo prédio ganhou características luxuosas e passou a ser conhecido como "Palácio dos Artistas".
Com arquitetura em estilo Art Déco e influências do Art Nouveau, o Cine Jandaia se consolidou como uma das principais casas de espetáculo da Bahia entre as décadas de 1930 e 1960. Recebeu apresentações de artistas como Dalva de Oliveira, Carmen Miranda e Bidu Sayão. Foi também o primeiro cinema do Nordeste equipado para exibir filmes sonoros.
Após a morte de João Oliveira em 1933, a administração passou para seu filho, que implantou ingressos populares para ampliar o acesso ao público. Os bilhetes mais baratos davam acesso à área conhecida como "geral", localizada acima dos camarotes e frisas, com entrada pela Rua do Alvo.
Decadência e abandono
Conhecido também como "Palácio das Maravilhas", o Jandaia viveu o auge como um dos principais cinemas de rua de Salvador. Porém, a partir da década de 1960, com a chegada das grandes redes multinacionais de cinema, o espaço entrou em decadência. Nos anos 1970, a mudança do centro comercial da cidade e a expansão dos shopping centers agravaram a crise dos cinemas de rua. Na tentativa de sobreviver financeiramente, o Cine Teatro Jandaia passou a exibir filmes pornográficos e de artes marciais nos anos 1990, até ser fechado no mesmo período e entrar em estado de abandono e degradação.
Tombamento e ações recentes
Em 2014, os antigos proprietários doaram o prédio ao Governo da Bahia. No ano seguinte, em 16 de dezembro de 2015, o imóvel foi tombado pelo Estado por meio de decreto assinado pelo então governador Rui Costa. Em 2018, o prédio foi alvo de um "abraçaço" promovido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil para chamar atenção sobre a importância da preservação do espaço.
Mesmo abandonado, o Cine Teatro Jandaia segue como símbolo da memória cultural de Salvador e ganhou destaque recente em produções audiovisuais. As ruínas do imóvel serviram de cenário para o clipe da música "Brisa", do cantor Silva, lançado em 2018, e para "Quente e Colorido", parceria musical entre Marina Sena e Illy, divulgada em 2022.



