Produtores de café aguardam ressarcimento após fechamento de armazém em Muzambinho
Produtores de café aguardam pagamento após fechamento de armazém

Produtores de café enfrentam incerteza um ano após fechamento de armazém em Muzambinho

Mais de um ano após o encerramento das atividades da Central do Café, em Muzambinho (MG), aproximadamente 380 produtores rurais continuam aguardando o ressarcimento de mais de 16 mil sacas de café que estavam armazenadas no local. O caso, que envolve cafeicultores de municípios como Muzambinho, Monte Belo, Nova Resende e Cabo Verde, permanece em tramitação na Justiça e mobiliza dezenas de famílias que relatam prejuízos estimados em milhões de reais.

Fechamento da empresa e impactos financeiros

A empresa encerrou suas operações em 11 de fevereiro de 2025, deixando como único vestígio uma placa na fachada do prédio que abrigava a negociadora de café. Na época, o valor acumulado das sacas depositadas pelos produtores era estimado em cerca de R$ 40 milhões. Entre os afetados está João Batista Vasconcelos, que perdeu 177 sacas e afirma não ter recebido qualquer retorno financeiro até o momento. “Na época, a saca estava cerca de R$ 2.550. Hoje está em torno de R$ 1.800 e não tem novidade. Não só eu, mas todos que tiveram prejuízo estão perdendo a esperança. A cada dia que passa, vai caindo mais a esperança de receber”, declarou.

Relação com cooperativa e ações judiciais

A Central do Café era administrada por Creúcio Carlos de Oliveira, que também presidia a Cooperativa Central de Muzambinho (Coocem), funcionando no mesmo endereço. Após o fechamento, Creúcio se reuniu com os produtores e prometeu pagar os valores devidos, afirmando que pretendia liquidar parte das dívidas com a venda de bens da empresa. No entanto, o advogado Thiago de Lima Dini, representante de 20 produtores, revelou que não foram encontrados bens em nome da empresa ou da cooperativa, mas a Justiça determinou o bloqueio de patrimônios registrados em nome do empresário.

O processo aguarda a apresentação de documentos fiscais para uma perícia contábil, conforme explicou o advogado: “O juiz determinou que a perícia compare a documentação das pessoas jurídicas com a declaração de imposto de renda do empresário. Isso é necessário para comprovar confusão patrimonial e permitir a desconsideração da pessoa jurídica. Depois dessa etapa, o processo avança para a fase de cobrança e liquidação dos valores”. O juiz da comarca de Muzambinho, Flávio Schmit, informou que os processos estão em andamento e em fase de conclusão de provas.

Defesa do empresário e alertas para produtores

O advogado de Creúcio, José Geraldo Jardim, confirmou que nenhum produtor recebeu até agora, mas afirmou que a defesa trabalha para garantir indenizações iguais para todos. “Todos os valores estão depositados e fazemos gestão para que continuem depositados. O objetivo não é um receber antes do outro. O senhor Creúcio quer pagar o quanto antes”, disse. Ele mencionou tentativas de acordo que não avançaram.

Com a colheita do café prevista para começar em maio, o Sindicato dos Produtores Rurais de Muzambinho emitiu um alerta sobre a importância de documentação adequada. Rodrigo de Almeida Machado, presidente do sindicato, destacou: “O produtor tem que se precaver, tirando nota fiscal de remessa, compra e venda. É isso que garante o comprovante de que o café está depositado nos armazéns. Já é o terceiro ou quarto problema com instituições de café aqui em Muzambinho. O produtor precisa ter provas fiscais”.