Trabalhador em Manaus precisa de 85 horas para pagar cesta básica, revela estudo
Manaus: 85 horas de trabalho para pagar cesta básica

Trabalhador em Manaus precisa de 85 horas para pagar cesta básica, revela estudo

Um trabalhador em Manaus, capital do Amazonas, precisou trabalhar, em média, 85 horas e 21 minutos durante o mês de fevereiro para conseguir pagar a cesta básica de alimentos. O dado alarmante é resultado de um levantamento realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Pesquisa mensal nas capitais brasileiras

O estudo, que é conduzido mês a mês, tem como objetivo monitorar o custo da cesta básica em todas as capitais do país e calcular o tempo de trabalho necessário para sua aquisição. A pesquisa revela uma realidade preocupante em diversas regiões, com destaque para as disparidades entre as cidades.

Enquanto em Manaus o trabalhador despende 85 horas, em São Paulo a situação é ainda mais crítica: são necessárias 115 horas e 45 minutos de trabalho para comprar os mesmos alimentos básicos. Na sequência, aparecem Rio de Janeiro, com 112 horas e 14 minutos, e Florianópolis, com 108 horas e 14 minutos.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Impacto no salário mínimo

Na capital amazonense, a cesta básica comprometeu expressivos 41,94% do salário mínimo líquido do trabalhador. Esse cálculo considera o valor já com o desconto de 7,5% referente à contribuição para a Previdência Social. No entanto, a média nacional apresenta um quadro ainda mais desafiador.

Em fevereiro, os trabalhadores das 27 capitais brasileiras precisaram destinar, em média, 46,13% do salário mínimo para a compra de alimentos básicos. Entre as capitais, São Paulo novamente se destacou negativamente, com um comprometimento de 56,88% da renda.

Salário mínimo necessário para despesas básicas

O levantamento também realizou uma estimativa do valor do salário mínimo necessário para cobrir as despesas básicas de uma família. Em fevereiro, esse valor foi calculado em R$ 7.164,94, o que representa aproximadamente quatro vezes o salário mínimo atual, fixado em R$ 1.621.

Esse cálculo leva em consideração o custo da cesta básica mais cara do país, que, no período analisado, foi registrada em São Paulo. A disparidade entre o salário mínimo vigente e o necessário para uma vida digna evidencia as dificuldades enfrentadas por milhões de brasileiros.

Contexto de isenção tributária

Vale ressaltar que os produtos que compõem a cesta básica seguem isentos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) até o ano de 2026. Essa medida, embora importante, não tem sido suficiente para aliviar significativamente o peso da alimentação no orçamento das famílias, especialmente nas regiões onde os custos são mais elevados.

Os dados apresentados reforçam a urgência de políticas públicas que visem à redução do custo de vida e à valorização do trabalho, garantindo que a alimentação, direito básico de todo cidadão, não consuma uma parcela tão significativa da renda familiar.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar