Irã garante continuidade no fornecimento de fertilizantes ao Brasil
O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, declarou nesta terça-feira (31) que os fertilizantes comprados pelo país de empresas iranianas não enfrentarão impedimentos para embarque. "Alguns meses atrás nós começamos a exportar fertilizante de ureia para o Brasil com algumas empresas na atividade. [...] Até o presente momento e no cenário atual, os produtos que foram adquiridos pelo Brasil não terão nenhum problema de ser exportados", afirmou o diplomata.
Oriente Médio mantém papel estratégico no mercado brasileiro
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) referentes a 2025, o Oriente Médio ocupa a quarta posição entre as regiões fornecedoras de fertilizantes químicos para o Brasil, atrás da Europa, Ásia e África. Analisando individualmente, a Rússia lidera o ranking, seguida por China e Canadá. Entre as nações do Oriente Médio, destacam-se Arábia Saudita (6º), Israel (8º), Omã (9º), Catar (11º) e Irã (22º).
Tomás Rigoletto Pernías, analista da StoneX Brasil, ressalta que a região responde por 40% das exportações mundiais de ureia e 28% das vendas externas de amônia, mantendo um papel central no mercado global. No caso específico da ureia, o Irã foi responsável por apenas 2% das compras brasileiras em 2025, conforme dados do Itaú BBA, com Nigéria, Rússia e Catar como principais fornecedores.
Triangulação comercial e dependência brasileira
Francisco Queiroz, especialista da Consultoria Agro do Itaú BBA, explica que, devido às sanções comerciais que atingem o Irã, ocorre um processo de triangulação: o país vende para nações vizinhas, que então comercializam os produtos com o Brasil, permitindo contornar as penalidades. "Isso não significa que não existe mais ureia iraniana no Brasil", observa o especialista.
No calendário agrícola brasileiro, os produtores costumam adquirir adubos fosfatados e potássicos para o plantio de soja entre maio, junho e julho. Já a demanda por adubos nitrogenados, como a ureia, intensifica-se mais tarde, em novembro, dezembro e janeiro, visando a recomposição de estoques para a safra de milho.
O Brasil mantém uma dependência significativa das importações de fertilizantes. Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro, aponta que o Canadá surge como uma alternativa potencial ao Oriente Médio nesse cenário. O embaixador Nekounam confirmou que algumas cargas já foram enviadas ao Brasil, reforçando a continuidade das transações comerciais entre os dois países.



