Executivos defendem expansão de modais logísticos no Brasil para impulsionar agronegócio
A dependência excessiva do Brasil em relação ao transporte rodoviário foi alvo de críticas contundentes durante o VEJA Fórum de Infraestrutura, realizado nesta sexta-feira, 27 de março de 2026, em São Paulo. Especialistas e representantes do setor privado destacaram a urgência de expandir os modais ferroviário e hidroviário para acompanhar o crescimento acelerado do agronegócio nacional.
Rodovias são o meio mais caro, afirma especialista
"Rodovias são o meio de transporte mais caro", afirmou Elisângela Lopes, assessora da Comissão de Infraestrutura da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA). A especialista ressaltou que, enquanto a produção agrícola brasileira avança rapidamente, a infraestrutura logística permanece defasada, criando obstáculos operacionais significativos para os negócios do setor.
Ronei Glanzmann, presidente do MoveInfra, movimento formado por seis grandes empresas de infraestrutura, ecoou a necessidade de mudança: "Temos que fazer uma virada de chave para o ferroviário e o hidroviário". As empresas que compõem o MoveInfra incluem CCR, EcoRodovias, Hidrovias do Brasil, Motiva, Rumo, Santos Brasil e Ultracargo.
Gargalo logístico no Arco Norte preocupa setor
A CNA identificou que o principal gargalo de infraestrutura do país está nas regiões Norte e Nordeste, conhecidas como "Arco Norte". Há menos de duas décadas, a produção agrícola dessa região equivalia à metade da produção nacional. Atualmente, esse percentual saltou para impressionantes 70% do total, impulsionado pelas novas fronteiras agrícolas.
"Quando a gente fala em escoar esses produtos pelos portos do Arco Norte, ainda exportamos muito menos do que gostaríamos", lamentou Elisângela Lopes. A especialista destacou que a capacidade de exportação não acompanha o volume de produção, limitando o potencial econômico da região.
Investimentos em infraestrutura ainda abaixo do ideal
Glanzmann alertou que o Brasil investe apenas 2,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura, enquanto o percentual considerado ideal seria de 4%, equivalente a aproximadamente 500 bilhões de reais anuais. "O Brasil não tem apenas que manter o seu estoque de infraestrutura, tem que expandir", enfatizou o executivo.
Apesar do cenário desafiador, houve motivos para otimismo. No ano passado, o setor privado aplicou cerca de 280 bilhões de reais em infraestrutura, com expectativa de alcançar 300 bilhões em 2026. A emissão de debêntures incentivadas bateu recorde, com captação de 178 bilhões de reais, impulsionada em parte pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Ferrovias abandonadas representam oportunidade perdida
Um dos pontos mais críticos destacados pela CNA é a situação das ferrovias brasileiras. "Temos quase 12 mil quilômetros de ferrovias que foram abandonadas ou estão ociosas", revelou Elisângela Lopes. Essa infraestrutura subutilizada representa um gargalo logístico que demanda soluções urgentes para otimizar o escoamento da produção agrícola.
Os especialistas concordam que, embora os investimentos recentes sejam celebrados, o caminho para modernizar a logística nacional ainda é longo. A expansão dos modais alternativos ao rodoviário não apenas reduziria custos operacionais, mas também aumentaria a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional.



