Câmara de Campo Grande suspende aumento da taxa do lixo previsto para 2026
Vereadores suspendem aumento da taxa do lixo em Campo Grande

Em uma reação direta ao polêmico reajuste do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), a Câmara Municipal de Campo Grande aprovou, na noite desta segunda-feira (12), a suspensão do aumento da Taxa de Coleta, Remoção e Destinação de Resíduos Sólidos Domiciliares, popularmente conhecida como taxa do lixo. O reajuste, que estava previsto para vigorar em 2026, foi barrado por unanimidade pelos vereadores.

Sessão Extraordinária Interrompe Recesso

O recesso parlamentar foi interrompido para a realização de uma sessão extraordinária, que começou às 20h20. Um total de 22 vereadores formou o quórum, sendo 15 presentes no plenário e outros sete participando de forma remota. Com pauta única, os parlamentares votaram e aprovaram, com 20 votos favoráveis e nenhum contrário, o Projeto de Lei Complementar nº 1.016/2026.

O projeto suspende os efeitos do Decreto Municipal nº 16.402/2025, editado pela prefeitura, que estabelecia um novo aumento para a taxa do lixo em várias regiões da cidade. Esse valor extra vinha incluso no carnê do IPTU, ampliando a insatisfação dos contribuintes.

Retorno à Base de Cálculo Antiga e Possibilidade de Reembolso

A principal medida aprovada restabelece o Mapa do Perfil Socioeconômico Imobiliário de 2018 como base para o cálculo da taxa. Este era o modelo utilizado em anos anteriores, antes da reclassificação de imóveis, bairros e regiões feita pela lei de setembro do ano passado, que, segundo entidades comerciais e sindicais, gerou aumentos considerados desproporcionais.

Além de barrar o aumento futuro, a legislação aprovada pelos vereadores prevê uma importante garantia para o cidadão: contribuintes que já pagaram a taxa do lixo com base no decreto agora suspenso poderão solicitar o ressarcimento do valor por via administrativa. A prefeitura terá um prazo de até dez dias, após a sanção ou veto, para regulamentar esse procedimento de devolução.

Posicionamento da Câmara e o "Imbróglio do IPTU"

O presidente da Casa, vereador Papy (PSDB), foi enfático ao destacar que a instituição do aumento foi uma ação exclusiva do Poder Executivo Municipal. "A Câmara não participou, não votou e não instituiu o aumento", afirmou. Ele ressaltou que, agora, o projeto que susta o decreto depende novamente da prefeitura para sua finalização.

Rafael Tavares (PL), presidente da comissão especial do IPTU, explicou que o consenso entre os vereadores se baseou em um parecer da Procuradoria da Casa, que indicou um caminho legal para oferecer um alívio ao contribuinte. "A gente entendeu que a base de cálculo adotada pelo decreto não deveria ser aplicada... conseguimos encontrar um caminho legal que vai, de fato, representar uma redução desse valor que o cidadão vai pagar", pontuou.

A decisão é mais um capítulo no que já é chamado de "novela do IPTU 2026" em Campo Grande. O primeiro capítulo foi a redução do desconto para pagamento à vista, de 20% para 10%, medida que a prefeita Adriane Lopes (PP) afirmou que não será revertida. O susto veio em seguida, com carnês apresentando aumentos superiores a 300% em relação ao ano anterior, o que mobilizou a Câmara e levou entidades a pedirem a suspensão da cobrança para revisão.

O texto aprovado pelos vereadores segue agora para a análise da prefeita Adriane Lopes, que poderá sancionar ou vetar a proposta.