Prefeitura de SP abre proposta de R$ 622 milhões para túnel na Sena Madureira após polêmicas
SP: proposta de R$ 622 mi para túnel na Sena Madureira é aberta

Prefeitura de São Paulo abre envelope com proposta de R$ 622 milhões para túnel na Sena Madureira

O envelope contendo a proposta financeira do Consórcio Expresso Sena Madureira-Klabin, único participante da nova licitação para a construção de um túnel entre a Avenida Sena Madureira, na Vila Mariana, e a Ricardo Jafet, na Zona Sul da capital paulista, foi aberto durante reunião realizada na tarde desta terça-feira (3). A prefeitura decidiu relicitar a obra após tentar executá-la com base em licitação de 2008, processo que envolveu retirada de árvores, questionamentos judiciais e recomendação do Ministério Público para novo certame.

Análise técnica e financeira em andamento

Nesta etapa, a administração municipal verifica se o valor oferecido pelo consórcio, de R$ 622 milhões, está de acordo com o mercado. O resultado final, que analisa as notas técnica e financeira, deve ser publicado no Diário Oficial nos próximos dias. Após a publicação, será aberto prazo legal para interposição de recursos. Caso não haja nenhum, as obras poderão começar.

A Álya Construtora, vencedora da nova licitação, é a antiga empreiteira Queiroz-Galvão, apontada como fraudulenta pelo Ministério Público na disputa de 2008. A prefeitura informou que o consórcio não estava proibido de participar de processos licitatórios.

Histórico de controvérsias e impactos ambientais

No início deste ano, a prefeitura recebeu apenas uma proposta na nova licitação para retomar as obras dos túneis da Rua Sena Madureira, paralisadas após recomendação do MP por denúncias de corrupção envolvendo contrato firmado em gestões anteriores. Havia também questionamentos ambientais após retirada de árvores na área.

Segundo a prefeitura, antes da abertura da nova licitação, foram promovidas audiências públicas com participação de mais de 500 moradores da região, além de consulta pública pela plataforma municipal Participe+. A fase de habilitação das empresas ocorrerá após análise e julgamento das propostas técnicas e comerciais, conforme ritos previstos na legislação vigente.

Problemas de alagamento e comunidades afetadas

Enquanto o processo avança, moradores da comunidade Coronel Luís Alves, localizada na área afetada pela obra, ainda convivem com impactos das chuvas registradas em dezembro e início de janeiro. Vídeos gravados no dia 8 de dezembro mostram força da enxurrada e alagamentos que atingiram diversas casas, provocando prejuízos materiais.

Moradores relatam que episódios de alagamento se intensificaram após início das obras. A comunidade é uma das duas que poderão ter de deixar a região caso projeto dos túneis avance.

Detalhes do projeto e investigações anteriores

O empreendimento tem como objetivo facilitar acesso da Rua Sena Madureira à Avenida Ricardo Jafet. Projeto original previa construção de dois túneis, com cerca de 1,6 quilômetro de extensão:

  • Um partiria da Rua Botucatu até a Rua Mairinque
  • O segundo seguiria sob a Rua Domingos de Morais até a Rua Embuaçu, nas proximidades da Avenida Ricardo Jafet

De acordo com a prefeitura, obra pode beneficiar mais de 800 mil pessoas por dia. Intervenções chegaram a ser iniciadas, mas foram interrompidas após decisão da prefeitura de não retomar contrato de outra gestão que se tornou alvo de investigações.

O Ministério Público apontou que construtora Queiroz Galvão teria pago propina para vencer licitação em 2010. Seguindo recomendação do órgão, prefeito Ricardo Nunes (MDB) decidiu abrir nova disputa.

Questões ambientais e contradições

Desde 2022, prefeitura reconhece região como área de risco para inundações. Especialistas apontam que intervenções no terreno, como corte de árvores, contribuíram para agravamento do problema.

Em 2024, vistoria realizada pela prefeitura e por representantes da construtora responsável pela obra concluiu que local não é classificado como Área de Preservação Permanente e que não foi identificada presença de nascente. No entanto, levantamentos anteriores da própria prefeitura indicaram existência de curso d'água na área.

  1. Mapa de 1930, do Arquivo Municipal, registra córrego Embuaçu no terreno
  2. Em 2019, após desmoronamento, vistoria da Subprefeitura da Vila Mariana apontou que área era de proteção ambiental, com presença de grande vale e nascente

Com obra paralisada, estruturas de contenção construídas em diferentes etapas permanecem no local, além do córrego que atravessa área, ladeado por muros erguidos pela prefeitura. Em outro ponto, muro de contenção permanece danificado após chuvas recentes, evidenciando força da água durante temporais.