Servidores públicos do Recife realizam protesto massivo em frente à Câmara de Vereadores
Na tarde desta terça-feira (31), servidores públicos municipais do Recife organizaram um protesto significativo, bloqueando completamente a Rua Princesa Isabel, localizada no Centro da cidade, em frente à Câmara de Vereadores. A mobilização tem como objetivo principal contestar o projeto de lei do reajuste salarial que abrange 27 categorias profissionais, o qual está atualmente em pauta para votação pelos vereadores. Os manifestantes, equipados com cartazes, faixas e até um caixão simbólico, expressam suas demandas por aumentos salariais mais substanciais e por melhorias nas condições de trabalho, em um ato que chama a atenção para as tensões entre a administração municipal e seus funcionários.
Detalhes da proposta e críticas do sindicato
De acordo com o Sindicato dos Servidores Públicos do Recife (Sindsepre), a proposta enviada pela prefeitura, sob o número 3/2026, prevê um reajuste de apenas 4,26%. Este valor, segundo o sindicato, representa um aumento aproximado de R$ 15 para algumas categorias, além de não incluir qualquer ajuste no vale-alimentação, um benefício considerado essencial pelos trabalhadores. O Sindsepre enfatizou que não houve qualquer processo de negociação prévia com os servidores, caracterizando a ação da prefeitura como unilateral e desrespeitosa.
Jefferson Maciel, diretor do Sindsepre, criticou veementemente a condução do processo, destacando que a categoria foi surpreendida pela proposta. "A prefeitura não respeitou, não fez a negociação que deveria fazer e, pela primeira vez na história, pelo menos nos últimos 30 anos, nenhum dos prefeitos agiu dessa forma. Eles impuseram um projeto de lei sem ter a concordância das categorias do sindicato", afirmou Maciel. Ele ressaltou ainda que diversas áreas do serviço público municipal foram afetadas e que os servidores permanecem mobilizados para tentar impedir a votação do projeto, pressionando por um canal de diálogo aberto e negociado.
Insatisfação com o vale-alimentação e impactos na categoria
A ausência de reajuste no vale-alimentação foi apontada como um fator agravante da insatisfação, sendo considerada inédita e prejudicial aos servidores. Thiago Henrique Accioly, servidor da Secretaria de Educação do Recife e participante do protesto, classificou a situação como "absurda", mencionando que o valor atual do benefício é de R$ 560, o qual ele considera defasado em relação a outros pagamentos na região. "Estamos falando de 27 categorias mobilizadas que não aceitam um reajuste abaixo das suas necessidades reais, enquanto a inflação corrói o poder de compra. O que está acontecendo é um desrespeito com o servidor público e com toda a população que depende desses serviços", declarou Accioly, refletindo o sentimento geral de frustração entre os manifestantes.
O protesto ocorre em um contexto de análise legislativa intensa, com os vereadores examinando o projeto de lei enquanto os servidores mantêm a pressão nas imediações da Câmara. Até o momento, a prefeitura do Recife não se manifestou oficialmente sobre as reivindicações dos servidores, conforme apurado pelo g1, que não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. A mobilização continua, simbolizando um confronto significativo entre trabalhadores públicos e a administração municipal sobre questões salariais e de condições laborais.



