Senado aprova 'separação conjugal' para municípios e estabelece regras para desmembramentos
Senado aprova 'separação conjugal' para municípios brasileiros

Senado Federal aprova projeto que estabelece 'separação conjugal' para municípios

O Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (25), por unanimidade, um projeto de lei que introduz o conceito de "separação conjugal" para processos de desmembramento territorial entre municípios brasileiros. A proposta, que recebeu 62 votos favoráveis, estabelece normas específicas para casos em que parte de um município seja incorporada a outro, criando um marco regulatório inédito para essas situações.

Regras e limitações do desmembramento municipal

De acordo com o texto aprovado, a população de uma determinada área municipal poderá solicitar o desmembramento de sua vinculação atual, em um processo que se assemelha a uma separação administrativa. Entretanto, essa possibilidade está sujeita a importantes restrições:

  • A parte desmembrada deverá obrigatoriamente ser incorporada a outro município já existente, sendo vedada a criação de novas cidades
  • Fica proibido o desmembramento interestadual, ou seja, a transferência de áreas entre diferentes unidades federativas
  • O prazo para solicitação das separações será de 15 anos contados da publicação da lei
  • Os processos serão suspensos um ano antes do Censo Demográfico de 2030 para não interferir nos cálculos do IBGE

Processo detalhado para solicitação de desmembramento

O projeto estabelece um rigoroso procedimento para as solicitações de separação municipal:

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  1. A iniciativa deve partir da Assembleia Legislativa do respectivo Estado
  2. É necessária a realização de um Estudo de Viabilidade Municipal (EVM) completo
  3. Deve ser realizado um plebiscito nos dois municípios envolvidos, organizado pelo TSE durante período eleitoral
  4. Após aprovação, os novos limites territoriais precisam ser devidamente demarcados

Os estudos de viabilidade deverão incluir análises econômico-financeiras, fiscais, de infraestrutura, prestação de serviços públicos essenciais, além de avaliações urbanísticas e sociais que considerem a identidade e o sentimento de pertencimento da população residente na área afetada.

Caso concreto em Sergipe ilustra necessidade da legislação

A proposta ganha relevância prática diante da disputa territorial entre os municípios de Aracaju e São Cristóvão, em Sergipe, que envolvem a Zona de Expansão - uma área de aproximadamente 20,78 km² que representa 11% do território da capital sergipana.

O relator do projeto, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), destacou que a legislação permitirá que "a população resolva a qual dos municípios quer pertencer, sem interferências de quem não vive a situação". A região em disputa abriga cerca de 30 mil pessoas, 17 escolas municipais e sete bairros, com uma história de conflito que remonta aos anos 1990, quando o avanço imobiliário de Aracaju começou a ocupar a área.

Recentemente, uma decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região transferiu a administração da Zona de Expansão para São Cristóvão, intensificando a necessidade de uma solução legislativa definitiva. O senador Vieira afirmou que "vou trabalhar para que seja aprovado e sancionado rapidamente", enfatizando que o texto viabiliza a livre escolha dos moradores.

Com a aprovação no Senado, o projeto agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, podendo estabelecer um novo paradigma para a organização territorial municipal no Brasil.

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