Obra do piscinão na Zona Leste de SP atrasa mais um ano e moradores enfrentarão novo verão de enchentes
Piscinão na Zona Leste de SP atrasa e moradores sofrem com enchentes

Obra do piscinão na Zona Leste de SP atrasa mais um ano e moradores enfrentarão novo verão de enchentes

A Avenida Luiz Ignácio de Anhaia Mello, localizada na Vila Prudente, Zona Leste de São Paulo, é um ponto crítico recorrente de enchentes na capital paulista. Como ocorreu na semana passada, a via deve enfrentar pelo menos mais um verão completamente alagada durante as fortes chuvas da estação. Isso porque a tão aguardada obra do piscinão para conter as cheias do Córrego da Mooca, que corta a avenida, sofreu um novo atraso de pelo menos um ano.

Aditamento contratual e aumento de custos

Segundo informações apuradas junto à SPObras, empresa da Prefeitura de São Paulo responsável por construções na capital, o piscinão estava originalmente prometido para agosto de 2026. No entanto, em novembro passado, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) assinou um aditamento de contrato com o consórcio DPJ Mooca. Esse aditamento elevou o valor total da construção de R$ 166,6 milhões para R$ 178,5 milhões, um acréscimo de quase R$ 12 milhões.

Por meio de nota, a SPObras justificou o aumento de custos, afirmando que foi necessário por conta de acréscimos de serviços identificados ao longo da execução da obra. Entre os serviços adicionais estão:

  • Remoção de postes de concreto, incluindo demolição, carga e transporte.
  • Utilização de argamassa de coulis para a execução de paredes diafragma plásticas.
  • Adequações nas armaduras das estacas dos pilares.
  • Intervenções relacionadas ao atendimento da Licença Ambiental de Instalação (LAI).

Novo cronograma e impactos para a população

A readequação do contrato não apenas aumentou os custos, mas também alterou significativamente o cronograma de entrega. A conclusão da obra, esperada há décadas pelos moradores da região, agora está prevista apenas para o segundo semestre de 2027. Enquanto isso, os residentes da Zona Leste continuam a enfrentar as enchentes que atingem a avenida e suas ruas transversais.

O último alagamento ocorreu no sábado, 17 de fevereiro, quando um temporal fez a água encobrir carros, deixando motoristas ilhados. Uma das cenas mais dramáticas aconteceu na esquina com a Rua Américo Vespucci, onde um casal que estava em um carro branco ficou ilhado em cima do capô do veículo, aguardando a ajuda dos bombeiros.

Além disso, em várias estações da Linha 15-Prata do Monotrilho, que passa por cima da avenida, os passageiros ficaram presos, esperando a água baixar para poder entrar e sair da linha. No verão do ano passado, a região foi palco de mais uma enchente que arrastou carros e resultou na morte de um motorista de aplicativo de 50 anos, que ficou preso dentro do veículo durante uma enxurrada.

Histórico da obra e capacidades prometidas

A obra de R$ 166,6 milhões começou a ser executada em junho de 2025 e tinha um prazo inicial de 26 meses para conclusão. A construção está a cargo das empresas DP Barros Pavimentação e Construção LTDA e Jofege Pavimentação E Construção LTDA, que formam o Consórcio DPJ Mooca.

Segundo a gestão municipal, o piscinão terá capacidade de armazenar 134,5 milhões de litros de água, o equivalente a 54 piscinas olímpicas. A prefeitura afirma que a obra beneficiará diretamente 500 mil pessoas dos distritos da Mooca, Sapopemba, São Lucas e Vila Prudente.

Tragédia recente e alertas contínuos

A morte do motorista de aplicativo no ano passado serve como um triste lembrete dos riscos enfrentados pela população. O motorista tentou passar por uma rua alagada, o que provocou uma pane no veículo. Enquanto o passageiro conseguiu sair pela porta traseira, o motorista foi encontrado em parada cardiorrespiratória e não resistiu aos ferimentos após ser socorrido.

Moradores do entorno continuam registrando imagens dos carros completamente tomados pela água da enxurrada, evidenciando a urgência de soluções definitivas para o problema das enchentes na região.

Enquanto a obra do piscinão não é concluída, os moradores da Zona Leste de São Paulo seguem vulneráveis às intempéries, com a expectativa de que as chuvas de verão tragam novos transtornos e riscos à segurança pública.