MP-SP pede suspensão de aumento de IPTU em Piracicaba por risco de confisco tributário
MP pede suspensão de aumento de IPTU em Piracicaba por confisco

MP-SP pede suspensão imediata de novo código tributário em Piracicaba

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) entrou com ação na Justiça pedindo a suspensão imediata do Novo Código Tributário de Piracicaba, sancionado em 2026. Segundo o órgão, as mudanças podem gerar efeito confiscatório devido ao aumento desproporcional de impostos municipais, comprometendo o patrimônio dos contribuintes.

Risco de confisco e violação constitucional

O promotor Luciano Coutinho, responsável pela ação, argumenta que os aumentos "desproporcionais e sem fundamentação técnica, especialmente do IPTU, podem resultar em uma carga tributária confiscatória para muitos contribuintes, inviabilizando a manutenção de suas propriedades e atividades". O MP-SP sustenta que a lei viola o artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal, que proíbe tributos com efeito de confisco.

O código altera a Planta Genérica de Valores (PGV) e modifica regras de cobrança de diversos tributos municipais, incluindo:

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram
  • Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU)
  • Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI)
  • Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN)
  • Diversas taxas municipais

Falta de estudos técnicos e aprovação acelerada

O Projeto de Lei 22/2025 foi enviado pela gestão do prefeito Helinho Zanatta (PSD) e aprovado em regime de urgência pela Câmara Municipal em dezembro de 2025, menos de um mês após ser protocolado. O texto de 588 páginas revoga 27 leis municipais, mas segundo o MP-SP, não apresenta estudos técnicos adequados que justifiquem os aumentos.

Entre as principais críticas do Ministério Público estão:

  1. Atualização da PGV com criação de alíquotas progressivas que podem gerar aumento significativo no IPTU
  2. Mudanças na base de cálculo do ITBI que podem elevar o imposto com critérios considerados arbitrários
  3. Ampliação da responsabilidade tributária no ISSQN que pode gerar mais burocracia para empresas
  4. Adoção de Tabela de Custo Mínimo de Mão de Obra na construção civil sem estudos técnicos
  5. Aumento de taxas municipais sem comprovação detalhada dos custos dos serviços

Impactos econômicos e sociais

Segundo a ação do MP-SP, os aumentos podem ter consequências graves para a economia local:

Para os contribuintes: A elevação do IPTU pode tornar difícil a manutenção de imóveis, especialmente para pessoas de baixa renda que não contam com mecanismos de proteção adequados.

Para o mercado imobiliário: As mudanças no ITBI podem encarecer negociações e desaquecer o mercado local devido aos critérios mais rígidos de avaliação.

Para as empresas: As alterações no ISSQN podem impactar negativamente o setor de serviços, aumentando a burocracia e os custos operacionais.

Posicionamento da prefeitura e próximos passos

A Prefeitura de Piracicaba informou que ainda não foi intimada sobre a ação do MP-SP e que, quando tiver acesso ao conteúdo, fará análise e apresentará justificativas ao Tribunal. Se a liminar for concedida, voltam a valer as regras e valores tributários anteriores.

Até o momento, não há data definida para análise do pedido pelo Poder Judiciário. O caso tem gerado preocupação entre contribuintes e empresários da região, que acompanham atentamente os desdobramentos desta disputa legal sobre a política tributária municipal.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar