INSS atinge marca de quarto presidente em menos de quatro anos durante governo Lula
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) alcançou um marco preocupante em sua gestão durante o atual governo federal. Com a recente nomeação de Ana Cristina Silveira, a autarquia chega ao seu quarto presidente em um período inferior a quatro anos, um cenário que evidencia instabilidade administrativa e crises sucessivas na pasta da Previdência Social.
Trajetória de trocas e escândalos na liderança do instituto
A sequência de mudanças na presidência do INSS começou ainda no início do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Glauco Wamburg, que assumiu o cargo na largada do governo, foi exonerado em meados de 2023 após suspeitas de envolvimento em um esquema de uso indevido de passagens aéreas do órgão para fins pessoais. Sua saída ocorreu em um momento crítico, com mais de um milhão de brasileiros aguardando na fila por benefícios previdenciários.
Para tentar conter a crise, Lula optou por Alessandro Stefanutto, um quadro interno do INSS que havia participado da equipe de transição governamental. Stefanutto permaneceu no comando até abril de 2025, quando a Polícia Federal desmantelou um esquema bilionário de fraudes e descontos ilegais que afetou mais de cinco milhões de aposentados em todo o território nacional.
Gestão conturbada e aumento recorde das filas de espera
Com a queda de Stefanutto, o governo nomeou Gilberto Waller com a missão de restaurar a ordem em um órgão considerado sequestrado por integrantes de esquemas de corrupção. Waller permaneceu no cargo por onze meses, até ser demitido na última segunda-feira. Sua gestão foi marcada por divergências com o comando do Ministério da Previdência, adotando decisões que contrariavam o ministro Wolney Queiroz e prejudicaram o plano de Lula para cumprir a promessa eleitoral de zerar a fila do INSS.
Sob a administração de Waller, a fila de espera do INSS atingiu a marca alarmante de mais de 3,1 milhões de pessoas em fevereiro, transformando-se em um dos principais problemas eleitorais para o governo federal. Este crescimento exponencial ocorreu apesar das promessas iniciais de redução dos prazos de atendimento.
Nova presidente assume em meio a investigações e desafios históricos
Nos últimos oito meses de mandato, Lula escolheu sua quarta liderança para tentar resolver a crise crônica no INSS. Ana Cristina Silveira, servidora de carreira do órgão, foi indicada por Queiroz e aprovada pelo presidente. Ela assume a difícil missão de enfrentar um problema que, durante todo o atual governo, nunca esteve próximo de uma solução definitiva.
A crise no INSS tende a se intensificar com as revelações provenientes das delações premiadas em andamento na Polícia Federal. Servidores do órgão que receberam propinas, incluindo um ex-presidente do INSS, serão citados nos processos. Além das apurações criminais, o instituto é alvo de um fluxo constante de inquéritos abertos pelo Ministério Público Federal para investigar diversas irregularidades, uma situação relativamente comum em uma autarquia do porte do INSS.
A tarefa de Ana Cristina Silveira não será fácil, mas a nomeação demonstra que o governo ainda não desistiu de tentar melhorar o escandaloso fiasco que se tornou a gestão do INSS durante esta administração. A capacidade da nova presidente em reverter anos de problemas acumulados e restaurar a confiança dos milhões de beneficiários será testada nos próximos meses, em um contexto político e eleitoral cada vez mais desafiador.



