Um estudo abrangente realizado pelo Instituto Trata Brasil revelou projeções otimistas para a Paraíba, indicando que a universalização do saneamento básico no estado tem o potencial de gerar ganhos socioeconômicos e ambientais impressionantes, que podem alcançar a cifra de R$ 25 bilhões. Esta análise considerou múltiplas dimensões de impacto, incluindo aumentos significativos na produtividade laboral, expansão do setor turístico e melhorias substanciais na saúde pública.
Retorno financeiro e investimentos necessários
De acordo com os dados apresentados, para cada R$ 1,00 investido em infraestrutura de saneamento, estima-se um retorno médio de R$ 4,30 em benefícios diretos e indiretos para a população paraibana. Para atingir a meta de universalização do serviço entre os anos de 2025 e 2040, seriam necessários investimentos totais da ordem de R$ 14,2 bilhões, um montante que, segundo o estudo, se justifica plenamente pelos retornos projetados.
Distribuição dos ganhos esperados
Os ganhos econômicos previstos com a implementação completa do saneamento básico são distribuídos em várias frentes:
- Produtividade no trabalho: A projeção mais expressiva aponta para um ganho de R$ 11,8 bilhões, decorrente de um forte aumento na produtividade, impulsionado pela melhoria nas condições sanitárias e de saúde da população trabalhadora.
- Turismo: Espera-se um incremento de R$ 1,7 bilhão no setor turístico, com a atração de mais visitantes devido à melhoria da qualidade ambiental, especialmente em praias e rios.
- Valorização imobiliária: Projeta-se um ganho de R$ 1,5 bilhão com a valorização de propriedades em áreas que receberem os serviços de saneamento.
- Economia em saúde: A redução de doenças relacionadas à falta de saneamento deve gerar uma economia de R$ 407 milhões nos gastos públicos e privados com saúde.
Cenário atual preocupante na Paraíba
O estudo também trouxe à tona dados alarmantes sobre a situação atual do saneamento no estado. Cerca de 62,8% da população paraibana, o que equivale a aproximadamente 2,6 milhões de habitantes, ainda não possui acesso à coleta de esgoto. O déficit no acesso à água tratada é ainda mais crítico, atingindo 41,3% dos residentes, ou 1,7 milhão de pessoas, um índice que supera consideravelmente a média nacional de 18,1%.
Diariamente, uma quantidade estimada em 245 milhões de litros de esgoto residencial é despejada sem qualquer tipo de tratamento nos corpos hídricos e praias do estado, agravando problemas ambientais e de saúde pública. Esta realidade é frequentemente denunciada por moradores, como os do Centro de João Pessoa, que enfrentam diariamente os transtornos causados pela falta de infraestrutura adequada.
Distribuição regional dos benefícios
A análise regional dos ganhos projetados mostra que João Pessoa concentraria a maior parcela dos resultados, com 45,3% do total, seguida por Campina Grande, com 26,5%. A região de Sousa-Cajazeiras se destaca por apresentar o maior ganho por habitante, estimado em mais de R$ 8 mil, refletindo o impacto transformador que o saneamento básico pode ter em comunidades com maiores carências.
O Instituto Trata Brasil enfatiza que, apesar dos desafios atuais, o potencial de retorno dos investimentos em saneamento é excepcionalmente alto, podendo catalisar um ciclo virtuoso de desenvolvimento econômico, preservação ambiental e melhoria da qualidade de vida para todos os paraibanos.



