Casa onde Césio-137 foi aberta em Goiânia agora é estacionamento; vídeo revela transformação
O imóvel localizado na Rua 57, no Centro de Goiânia, onde a cápsula de Césio-137 foi aberta em setembro de 1987, atualmente funciona como um estacionamento. Um vídeo gravado pelo produtor audiovisual Michel de Medeiros mostra como está a área da antiga casa, um dos principais pontos de contaminação do acidente radiológico que se tornou o maior do mundo em área urbana.
O início do desastre radiológico
Foi nesse endereço que Roberto Santos Alves abriu a cápsula radioativa dentro de casa, após o equipamento ser retirado das ruínas do Instituto Goiano de Radioterapia (IGR), que ficava nas proximidades. A partir da manipulação do material, o césio passou a ser manuseado e espalhado, dando início à contaminação que afetaria centenas de pessoas.
O local é considerado um dos primeiros focos do acidente, que resultou na morte direta de quatro pessoas devido à exposição à radiação. Centenas de outras foram afetadas pelas consequências do material radioativo que se espalhou pela cidade.
Demolição e medidas de segurança
Após a identificação da contaminação, a casa foi demolida como medida de segurança urgente. O solo passou por um rigoroso processo de descontaminação e, posteriormente, foi coberto com concreto para evitar qualquer risco de exposição ao material radioativo remanescente.
Mesmo quase 40 anos depois do acidente, o ponto segue sob monitoramento constante da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), órgão responsável por acompanhar todas as áreas atingidas pelo desastre radiológico de Goiânia.
Transformação em estacionamento
As imagens do vídeo mostram que o terreno onde ficava a casa foi completamente transformado em uma área de estacionamento, sem estruturas aparentes que indiquem o histórico trágico do local. A Rua 57, onde ficava o imóvel, está localizada próxima ao antigo prédio do IGR, de onde o aparelho de radioterapia foi retirado antes de ser levado até a residência.
Ferro-velho: epicentro da contaminação
Embora a abertura inicial da cápsula tenha ocorrido na residência da Rua 57, o local com maior nível de contaminação foi um ferro-velho no Setor Aeroporto. O estabelecimento ficava na antiga Rua 26-A, atual Rua Francisca da Costa Cunha.
Foi nesse ferro-velho que o material radioativo foi mais amplamente manipulado e distribuído, resultando no maior número de pessoas contaminadas. Segundo investigações da época, foi nesse ponto que houve maior exposição ao césio, inclusive entre pessoas que não tinham ligação direta com o equipamento inicial.
O vídeo de Michel de Medeiros serve como um registro importante da transformação urbana de um local que carrega uma das páginas mais trágicas da história brasileira, enquanto a memória do acidente com Césio-137 permanece viva entre os sobreviventes e familiares das vítimas.



