Campo Olímpico de Golfe do Rio vira palco de festas e obras irregulares
Campo Olímpico de Golfe do Rio vira palco de festas

O Campo Olímpico de Golfe, uma das instalações construídas na Barra da Tijuca para os Jogos de 2016, se tornou o centro de uma intensa batalha judicial. A prefeitura do Rio de Janeiro e a empresa proprietária do terreno acusam a gestora do espaço de desvirtuar sua finalidade original, transformando o local em palco para eventos sociais e até obras para um campo de futebol.

Do golfe para festas e helicópteros: a mudança de uso

Vídeos e registros anexados ao processo judicial mostram que o gramado olímpico, destinado à prática do golfe, recebeu uma série de eventos nada esportivos. Entre as atividades flagradas estão exposições de carros esportivos, passeios de helicóptero, soltura de balões e queima de fogos de artifício.

Além disso, o espaço tem sido amplamente anunciado para a realização de eventos sociais privados. Casamentos, festas de 15 anos e comemorações de aniversário são promovidos com o atrativo de “um ambiente deslumbrante e uma estrutura impecável”, em clara violação ao acordo firmado.

O contrato de permissão de uso, assinado em 2018 entre a prefeitura e a empresa CRF Empreendimentos e Participações, é claro: a área deve ser usada exclusivamente para o fomento do golfe, sendo proibida a utilização por terceiros para outros fins.

Obras polêmicas e disputa na Justiça

A polêmica ganhou um novo capítulo com o início de obras para a construção de um campo de futebol em parte da área do campo de golfe. A Tanedo, empresa dona do terreno, contesta veementemente a intervenção.

“As obras desse campo de futebol não só suprimem parte do campo como apresentam indícios de impacto sobre vegetação nativa. Houve até festa de réveillon com fogos dentro de área de proteção ambiental”, denunciou Alexandre Kingston, advogado da Tanedo.

A prefeitura do Rio afirma que o prazo de cessão do terreno expirou em novembro de 2025 e pede a devolução do campo. Atualmente, a CRF mantém a gestão do local graças a uma liminar judicial, que o município tenta derrubar.

Gestor envolvido em investigação e defesa da empresa

O empresário Carlos Favoreto, dono da CRF, também é alvo de atenção das autoridades. Ele preside o conselho da Fundação São Francisco de Assis, entidade que gerencia centenas de milhões de reais em compensações ambientais do estado e que está sob investigação do Ministério Público e do Tribunal de Contas por suposto direcionamento em contratos. Favoreto nega qualquer irregularidade.

Em nota, a CRF Empreendimentos se defendeu das acusações. A empresa afirmou que todas as intervenções no Campo Olímpico de Golfe são autorizadas pelos órgãos competentes e respeitam o acordo de concessão. Segundo a gestora, as melhorias são operacionais e esportivas, focadas em manutenção e segurança.

A empresa ainda destacou que o campo é uma referência internacional em qualidade e que vai sediar, pelo terceiro ano consecutivo, um dos maiores torneios de golfistas profissionais do mundo.

Enquanto a Justiça não decide o futuro do local, um protocolo de intenções foi firmado entre a Tanedo e a Confederação Brasileira de Golfe na tentativa de recuperar o espaço e preservar o frágil legado olímpico na cidade do Rio de Janeiro.