Cabelo sugado por ralo: prevenção e ação em casos de afogamento em piscinas
Diante de casos de afogamentos em piscinas registrados em Campinas (SP), especialistas orientam como agir com segurança caso alguém fique preso no ralo ou submerso. Além dos primeiros-socorros, as principais recomendações envolvem ações de prevenção, como desligar os motores de sucção sempre que houver banhistas, instalar dispositivos de proteção e garantir supervisão adulta constante.
Casos em Campinas destacam urgência de medidas
Em um caso de repercussão na metrópole, uma adolescente foi apreendida em 14 de janeiro por suspeita de omissão de socorro depois de presenciar o afogamento de uma criança de 11 anos, que prendeu o cabelo no ralo da piscina dos avós. Segundo o boletim de ocorrência, a adolescente não teria pedido ajuda de imediato. A criança foi socorrida e levada ao Hospital de Clínicas da Unicamp, mas não resistiu.
Também no mês de janeiro, Campinas sancionou a Lei Manuela, que proíbe o funcionamento dos motores de sucção enquanto piscinas coletivas estiverem em uso e determina a instalação de equipamentos de segurança para evitar novas tragédias. A lei leva o nome de Manuela Cotrin Carósio, de 9 anos, que morreu após ter o cabelo sugado por um dispositivo irregular em um resort da cidade, em 2024.
Equipamentos que deixam a piscina mais segura
O instrutor técnico Fábio Forlenza, conhecido como Professor Piscina, explica que o motor da piscina puxa a água com força para filtrá-la. Esse processo ocorre por meio do ralo de fundo e do bocal de aspiração. Se esses dispositivos não tiverem proteção adequada, a bomba funciona como um aspirador potente.
- Ralo de fundo "anti-turbilhão" ou "anti-hair": Com formato arredondado e grelhas com aberturas laterais, impede a formação de vácuo e distribui a vazão.
- Dispositivo de aspiração com fechamento automático: Adaptador com tampa que se fecha sozinha quando a mangueira de limpeza é retirada, bloqueando a sucção direta.
- Sistemas de desligamento do motor: Botões de emergência ou bombas com sensores que interrompem o funcionamento ao detectar bloqueios.
Hábitos preventivos essenciais
Equipamentos de segurança ajudam, mas hábitos preventivos são fundamentais. O principal é a supervisão constante de um adulto, sem distrações como celular ou leitura. Em festas, o ideal é revezar o adulto responsável pela observação da piscina.
Outro ponto importante é desligar a bomba sempre que houver pessoas na água, no caso de piscinas residenciais. Isso elimina a força de sucção, causa principal dos aprisionamentos. Para piscinas coletivas, como em academias ou clubes, a instalação de dispositivos de segurança é obrigatória.
O que fazer ao presenciar um afogamento
Antes de tudo, é essencial chamar o Corpo de Bombeiros pelo 193. Se for seguro, retire a vítima da água e inicie os primeiros socorros. Ao perceber que alguém está preso, desligue o motor da piscina imediatamente. Se o cabelo ou roupa estiverem presos, pode ser necessário cortar os fios ou o tecido.
Com a vítima fora da água, verifique consciência e respiração. Se estiver respirando, coloque-a deitada sobre o lado direito. Se estiver inconsciente e sem respiração, inicie a massagem cardíaca com 100 a 120 compressões por minuto, entre o lado esquerdo e o centro do tórax.
Consequências do afogamento no corpo
O afogamento impede que o corpo absorva oxigênio e pode causar morte ou sequelas em poucos minutos. O tipo mais comum é o afogamento úmido, quando a água entra nos pulmões. Já o afogamento seco ocorre quando a glote fecha em espasmo, bloqueando a entrada de ar.
Quando há falta de oxigênio, as células do cérebro começam a morrer. Se a vítima fica submersa por muito tempo, geralmente acima de 10 minutos, mesmo que sobreviva pode haver danos neurológicos irreversíveis, como estado vegetativo ou perda de capacidade cognitiva e motora.



