Atraso na entrega de trens compromete Metrô do Recife após acordo de estadualização
Atraso em trens do Metrô do Recife após acordo de estadualização

Atraso na entrega de trens compromete Metrô do Recife após acordo de estadualização

Dois meses após os governos federal e de Pernambuco firmarem um acordo histórico para "estadualizar" a administração do Metrô do Recife, o estado enfrenta significativos atrasos na entrega dos trens seminovos prometidos pela União. Dos onze trens destinados a reforçar o sistema metroviário, seis deveriam ter chegado em janeiro, mas permanecem pendentes devido a questões operacionais e logísticas.

Novos prazos e críticas sobre condições dos trens

O governo estadual estabeleceu um novo cronograma: o primeiro lote de locomotivas deve chegar até o final de março, enquanto os cinco restantes serão enviados até junho. No entanto, o Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE) alerta que os trens não são seminovos como anunciado, mas sim equipamentos com aproximadamente quarenta anos de uso, sem ar-condicionado e em condições precárias.

"Não são trens seminovos, são trens com 40 anos de uso, bastante velhos e que não vão atender às nossas exigências", afirmou Luiz Soares, presidente do Sindmetro-PE. "A população precisa saber que vão piorar a situação, com superaquecimento e deterioração, prejudicando ainda mais os trabalhadores que dependem do metrô".

Problemas estruturais agravam a crise

Além da idade avançada dos trens, a precariedade da infraestrutura de manutenção compromete seriamente o funcionamento do sistema. Das dezessete máquinas especiais necessárias para inspeção e reparos, apenas quatro estão em operação, dificultando a recuperação da rede aérea, trilhos e subestações.

O metrô, que atende cerca de 180 mil passageiros diários em quase 80 quilômetros de extensão entre Recife, Camaragibe, Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho, registra falhas constantes. Recentemente, o ramal Camaragibe da Linha Centro ficou inoperante por dois dias devido a uma pane elétrica, afetando aproximadamente 40 mil usuários.

Impacto direto na população

Usuários relatam uma rotina marcada por atrasos, desconforto e falta de manutenção adequada. Marcos Júnior, encanador, descreve: "De manhã é uma negação, sem conforto, sem ar-condicionado, muito lento e com constantes quebras que nos obrigam a buscar alternativas como transporte por aplicativo, chegando atrasados ao trabalho".

Marta Vasconcelos, comerciante, destaca os problemas de acessibilidade: "O metrô está sucateado, com escadas rolantes quebradas e elevadores inoperantes. Para idosos como eu, a dificuldade é enorme". Silvânio Ferreira, vendedor, acrescenta que a suspensão das viagens aos domingos desde agosto de 2024, devido a obras de manutenção, limita o lazer e a mobilidade.

Resposta do governo e perspectivas futuras

Em nota, a Secretaria Estadual de Mobilidade e Infraestrutura reconhece que a aquisição dos trens é uma medida emergencial, vinculada ao acordo de dezembro que inclui um aporte federal de R$ 150 milhões. A gestão planeja um investimento de R$ 4 bilhões para requalificação completa do metrô, com compra de novos trens e modernização do sistema.

O novo modelo de operação, resultante da parceria estadual-federal, está em consulta pública desde 12 de fevereiro, com licitação prevista para o segundo semestre de 2026. O governo afirma que essas ações visam garantir melhorias estruturais, ampliação da capacidade e maior segurança no serviço, além da expectativa de concessão à iniciativa privada após a conclusão do processo.

Enquanto isso, a população pernambucana aguarda soluções concretas para um sistema essencial que enfrenta desafios históricos de manutenção e eficiência.