A era dos orelhões, ícones da comunicação brasileira por décadas, está chegando ao fim. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deu início, neste mês de janeiro, ao processo de retirada definitiva dos telefones públicos de todo o Brasil. Em cidades como Uberlândia, 33 aparelhos serão removidos, enquanto em Uberaba, o número chega a 36. Atualmente, ainda existem cerca de 38 mil orelhões em território nacional, mas esse número deve diminuir rapidamente com a ação em curso.
Retirada em massa no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba
No Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, a cidade de Patos de Minas lidera a lista de remoções, com 39 aparelhos a serem retirados. Outras localidades da região também terão seus orelhões removidos, conforme detalhado abaixo:
- Araguari: nenhum
- Araxá: nenhum
- Ituiutaba: 6 aparelhos
- João Pinheiro: 11 aparelhos
- Patrocínio: 1 aparelho
- Paracatu: 12 aparelhos
- Prata: 5 aparelhos
- Tupaciguara: 4 aparelhos
Todos os aparelhos devem ser completamente removidos até o ano de 2028, marcando o fim de uma era na infraestrutura de telecomunicações do país.
Obsolecência e fim das concessões
Os orelhões, que já foram quase indispensáveis no passado, tornaram-se praticamente obsoletos com a massiva popularização dos celulares. A retirada começa agora devido ao término, no ano passado, das concessões do serviço de telefonia fixa das cinco empresas responsáveis pelos aparelhos: Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica.
Com o fim dos contratos, essas empresas deixam de ter a obrigação legal de manter a infraestrutura de telefones públicos. A extinção não será imediata em todos os locais; em janeiro, inicia-se a remoção em massa de carcaças e aparelhos desativados. Os orelhões só serão mantidos em cidades onde não há rede de celular disponível, e apenas até 2028.
Declínio gradual e investimentos em novas tecnologias
O processo de retirada já vinha ocorrendo nos últimos anos. Dados da Anatel revelam que, em 2020, o Brasil ainda contava com cerca de 202 mil orelhões nas ruas, um número que caiu drasticamente para os atuais 38 mil. Como contrapartida pela desativação, a Anatel determinou que as empresas devem redirecionar seus recursos para investimentos em redes de banda larga e telefonia móvel, tecnologias que hoje dominam a comunicação no país.
Segundo informações da agência, mais de 33 mil orelhões estão ativos atualmente, enquanto cerca de 4 mil estão em manutenção. Isso reflete a transição para um cenário digital, onde a conectividade móvel se tornou prioritária.
História e legado do orelhão
O orelhão surgiu em 1971, criado pela talentosa arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira. Inicialmente, ele era conhecido por outros nomes, como Chu I e Tulipa. Embora cabines telefônicas existissem em outros países, a criação de Silveira se tornou icônica devido ao seu design único, que foi reproduzido em nações como Peru, Angola, Moçambique e China.
Além de sua estética distintiva, o formato do orelhão tinha uma justificativa funcional importante: a qualidade acústica. O som entrava na cabine e era projetado para fora, o que diminuía o ruído durante as ligações e protegia quem falava do barulho externo. Esse design inovador ajudou a consolidar o orelhão como um símbolo nacional, lembrado com carinho por muitas gerações.
Com a retirada em andamento, resta pouco tempo para que os brasileiros possam ver esses marcos históricos nas ruas. A medida da Anatel sinaliza um avanço tecnológico inevitável, mas também marca o fim de uma época que moldou a comunicação no país.