Pesquisa revela que 73% dos brasileiros sofreram com falta de luz nos últimos três meses
73% dos brasileiros tiveram falta de luz em três meses

Pesquisa Ipsos-Ipec revela que 73% dos brasileiros enfrentaram falta de luz nos últimos três meses

Uma pesquisa do instituto Ipsos-Ipec divulgada nesta quarta-feira (25) apresenta um retrato preocupante sobre a qualidade do fornecimento de energia elétrica no Brasil. O levantamento mostra que 73% dos brasileiros já tiveram, pelo menos, uma interrupção no fornecimento de energia elétrica nos últimos três meses, um dado que evidencia a instabilidade do serviço em todo o país.

Frequência das interrupções preocupa a população

Os números detalhados da pesquisa revelam a recorrência do problema:

  • 30% dos entrevistados sofreram com falta de luz de duas a três vezes neste período
  • 13% relataram uma única interrupção
  • 15% enfrentaram entre quatro e cinco quedas de energia
  • 8% tiveram de seis a dez interrupções
  • 7% sofreram mais de dez vezes com falta de luz
  • Apenas 22% afirmaram não ter tido nenhuma interrupção no período

A pesquisa foi realizada entre 5 e 9 de fevereiro, com 2.000 entrevistas domiciliares em 129 municípios brasileiros. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

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Instabilidade reflete na percepção do valor da conta de luz

A instabilidade na oferta do serviço tem impacto direto na percepção de valor da conta de luz pelos consumidores. De acordo com o levantamento, 71% dos brasileiros classificam o valor mensal como "muito alto" ou "alto" frente à qualidade entregue pelas concessionárias.

A percepção negativa é ainda mais acentuada entre os moradores das regiões metropolitanas, onde 77% consideram o valor inadequado. Em contrapartida, apenas 22% acham justo o valor da conta de luz, enquanto 4% consideram baixo, 1% muito baixo e 2% não souberam ou preferiram não responder.

Marcia Cavallari, head da Ipsos-Ipec, analisa que a frequência das interrupções é um fator determinante para o descontentamento atual: "O consumidor já sente o peso da conta de luz no orçamento e sofre com a instabilidade do serviço. A pesquisa mostra que a experiência com a falta de luz é uma rotina para grande parte dos brasileiros, o que gera uma percepção de que o preço pago não condiz com a entrega. Onde o serviço falha mais, a revolta com o preço da conta é nitidamente maior".

Percepção crítica entre quem sofre mais interrupções

Segundo a Ipsos-Ipec, a percepção sobre o valor da conta de luz é mais crítica entre os que sofrem com interrupções frequentes do serviço. Entre os que enfrentaram mais de quatro quedas de energia no período, o percentual dos que acham o valor da conta de luz "muito alta" chega a 46% (contra 36% no total da amostra).

Este índice representa uma diferença significativa de 16 pontos percentuais em relação aos que não tiveram nenhuma interrupção (30%), demonstrando como a qualidade do serviço influencia diretamente na avaliação do custo pelo consumidor.

Tempo de espera para restabelecimento preocupa

A espera para o retorno do serviço também é motivo de preocupação entre os brasileiros. Para 53% dos entrevistados, o serviço tende a demorar mais de uma hora para ser restabelecido após uma interrupção.

Os dados detalhados sobre o tempo de espera revelam:

  • 29% dos brasileiros afirmam que a luz demora entre 1 e 3 horas para voltar
  • 14% relatam espera de 3 a 5 horas
  • 10% enfrentam interrupções que duram mais de 5 horas
  • 40% têm a energia restabelecida em até 1 hora

A espera de mais de uma hora para o restabelecimento da energia é mais significativa para os moradores da região Sudeste (58%), do que entre aqueles que vivem nos estados do Norte/Centro-Oeste (46%). O índice chega a 60% entre aqueles que relatam mais de quatro quedas de energia nos últimos três meses.

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Insatisfação cria barreira para transição energética

Essa insatisfação com o serviço atual cria uma barreira significativa para investimentos futuros no setor energético. Embora 93% da população considere importante a transição para fontes renováveis, 78% afirmam estar pouco ou nada dispostos a pagar a mais na conta para garantir essa mudança.

Marcia Cavallari explica que o consenso sobre a necessidade de uma matriz limpa esbarra no limite do bolso: "Há um consenso sobre a importância de uma matriz mais limpa, mas essa convicção esbarra na realidade econômica. Isso sinaliza que qualquer política de transição energética precisa vir acompanhada de garantias de que não haverá um repasse de custos direto e pesado para o cidadão comum, que já convive com interrupções frequentes".

A pesquisa evidencia um cenário complexo no setor elétrico brasileiro, onde a população demonstra preocupação tanto com a qualidade do serviço atual quanto com os custos futuros de uma necessária transição para fontes renováveis de energia.