Família canadense emprega inteligência artificial em busca desesperada por parente desaparecido no litoral paulista
Uma família originária do Canadá recorreu a ferramentas de inteligência artificial na tentativa de localizar um parente que estava desaparecido desde o ano de 2022. A busca digital levou-os a uma reportagem publicada pelo jornal A Tribuna em 8 de junho de 2024, que abordava a situação de um estrangeiro vivendo em condições de rua na cidade de Santos, no litoral do estado de São Paulo.
Infelizmente, a esperança de um reencontro familiar durou muito pouco. Os familiares descobriram, com profundo pesar, que Karl Van Roon havia falecido apenas um dia depois da publicação daquela matéria jornalística. "Agora, podemos começar a viver o luto de verdade. Agora, sabemos que não está aqui", declarou Terry Van Roon, pai do canadense, em entrevista concedida à TV Tribuna, afiliada da Rede Globo na região.
Quatro anos de angústia e uma comunicação que se perdeu
Deanna Bistriceanu, irmã de Karl, relatou que seu irmão tinha o hábito de viajar pelo mundo inteiro. A comunicação com a família normalmente se dava por meio de correio eletrônico, ligações telefônicas ou através de visitas surpresa. Contudo, em 2022, o padrão foi quebrado de maneira abrupta.
Karl partiu da cidade de Vancouver, no Canadá, e nunca mais estabeleceu qualquer tipo de contato com seus entes queridos. Seus pais, Heidi e Terry Van Roon, viveram quase quatro anos de intensa angústia, explorando diversos meios e canais na tentativa de descobrir o paradeiro do filho.
Foi somente em 2025 que a utilização de sistemas de inteligência artificial finalmente forneceu um direcionamento crucial, levando-os à reportagem de A Tribuna. A notícia em questão detalhava a história de um homem que vivia há vários meses nas ruas de Santos. A publicação havia sido feita a pedido de um morador local que tentava, de forma humanitária, encontrar os familiares daquele indivíduo, que se comunicava basicamente por linguagem de sinais, mas demonstrava compreensão dos idiomas inglês e italiano.
"Ele sempre foi atraído por lugares espirituais, por pessoas amorosas, abertas, que vivem com o coração exposto. Ele amava a praia, amava o estilo de vida, amava a natureza. Então, imaginamos que Santos tivesse tudo isso", destacou Terry Van Roon, tentando entender a possível conexão de seu filho com a cidade litorânea.
Reconhecimento e a trágica confirmação da perda
Após localizarem a reportagem, os familiares conseguiram estabelecer contato com a Polícia Civil de Santos. No entanto, a resposta recebida foi devastadora e completamente diferente do que esperavam. Karl Van Roon foi encontrado sem vida no dia 9 de junho de 2024, vítima de uma embolia pulmonar aos 39 anos de idade.
O delegado Thiago Nemi Bonametti, da 3ª Delegacia de Polícia de Investigação sobre Homicídios de Santos, explicou ao g1 que a família conseguiu reconhecer o canadense por meio de fotografias do corpo disponíveis no Instituto Médico Legal (IML). O delegado acrescentou que a ficha de identificação do cadáver foi prontamente enviada para as autoridades policiais de Vancouver, onde as impressões digitais de Karl foram confirmadas oficialmente, encerrando qualquer dúvida sobre sua identidade.
Apesar da dor imensa da perda, a mãe, Heidi Van Roon, expressou também um sentimento de alívio pelo fim de uma busca tão longa e desgastante. "É o tipo de imagem que nenhum pai quer ver, mas também é uma verdade. Karl viveu segundo suas convicções e segundo aquilo que acreditava. Isso é profundamente admirável, mas também parte o coração [...] Estará para sempre em nossos corações", lamentou a mãe, em um depoimento emocionado.
O desejo de levar Karl de volta para casa e os trâmites burocráticos
Atualmente, os pais manifestam o desejo de realizar o translado dos restos mortais de Karl de Santos até o Canadá, para que o filho possa, finalmente, retornar ao seu lar de origem. Em uma nota oficial enviada ao g1, a Secretaria de Desenvolvimento Social de Santos informou que o óbito de Karl foi registrado inicialmente como sendo de uma pessoa não identificada.
Devido a essa circunstância, o sepultamento foi realizado de forma gratuita no Cemitério da Areia Branca, no dia 18 de junho de 2024. Sobre o processo de translado, a secretaria municipal esclareceu que, até o presente momento, não recebeu qualquer notificação oficial por parte de familiares ou de autoridades competentes solicitando apoio direto da Prefeitura de Santos para tal procedimento.
A pasta ressaltou, ainda, que os trâmites envolvendo o translado de restos mortais obedecem a normas legais bastante específicas, que envolvem legislações municipais, estaduais e federais, além de rigorosos protocolos sanitários regulados por órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
"Após eventual formalização oficial da demanda, os órgãos competentes poderão orientar quanto aos procedimentos necessários, dentro dos limites legais, permanecendo a secretaria à disposição para prestar esclarecimentos institucionais, conforme os registros disponíveis", finalizou a nota da secretaria.
O g1 também entrou em contato com a Embaixada do Canadá no Brasil, que informou estar apurando todas as informações pertinentes ao caso até a última atualização desta reportagem.



