Campings no Litoral Norte do RS são refúgio de verão e Carnaval com natureza e economia
Campings no Litoral Norte do RS são refúgio de verão e Carnaval

Campings no Litoral Norte do RS se tornam opção preferida para verão e Carnaval

Arrumar a barraca ao amanhecer, esquentar água no fogão adaptado e preparar o chimarrão cercado pelo verde. Essa rotina simples e econômica define o dia a dia de muitas famílias nos campings do Litoral Norte do Rio Grande do Sul, que se consolidam como uma alternativa cada vez mais valorizada para viver o verão e o Carnaval em contato direto com a natureza.

Resgate de tradições e criação de memórias afetivas

O empresário Robinson Nunes representa essa tendência. Cresceu acampando com os pais e agora busca resgatar essa tradição com os próprios filhos. Instalado em um camping da região, ele explica que a escolha vai muito além da economia financeira.

"Tem essa nostalgia do que era antigamente, do camping, que a gente acabou se afastando por causa do trabalho e das ocupações do dia a dia. A ideia é resgatar isso, criar memórias com os filhos, viver algo mais saudável, em contato com a natureza, em outro ritmo", relata Robinson.

Sua viagem atual serve como um teste prático. A intenção é ajustar equipamentos e, em seguida, buscar os filhos para passar mais dias juntos no camping, aproveitando intensamente o período de verão no litoral gaúcho.

Custo-benefício atrativo e experiências autênticas

Quando famílias procuram esses espaços, o objetivo é viver experiências mais reais e desconectadas da agitação urbana:

  • Acordar com o som dos pássaros
  • Observar animais silvestres
  • Sentir a brisa refrescante da lagoa
  • Desacelerar o ritmo do cotidiano

Essa combinação entre custo-benefício e imersão na natureza tem atraído um público crescente. Em Tramandaí, um camping que funciona há mais de três décadas recebeu mais de 100 barracas apenas no último Réveillon. A expectativa para o Carnaval também é de lotação máxima.

A diária custa a partir de R$ 50 por pessoa, valor que torna a opção significativamente mais acessível do que hotéis ou pousadas tradicionais. "Para uma família de três ou quatro pessoas, acaba sendo muito mais viável financeiramente. O custo é melhor do que ficar em hotel, por isso muita gente opta pelo camping", explica a proprietária Andrea Franzen.

Histórias que se entrelaçam com o lugar

Algumas trajetórias pessoais se confundem com a própria história dos campings. A professora Lenira Chiavagati frequenta o mesmo espaço com a família há mais de 20 anos. Começou improvisando uma barraca de lona em um pequeno trailer e, gradualmente, foi estruturando o local, que hoje lembra uma aconchegante casa de campo à beira da praia.

"Nosso filho nasceu aqui no camping, se criou com os amigos, fez amizades, assim como a gente. É pertinho da capital, tem fácil acesso à praia, mas também dá para ficar aqui na lagoa, na piscina, nesse ar fresco que encanta. A gente gosta muito", conta Lenira com emoção.

Mesmo depois de adulto, seu filho Bernardo, de 19 anos, continua passando os verões no camping com a mãe. Ele trabalha em home office e encontrou uma forma singular de conciliar rotina profissional e lazer. "É uma experiência completamente diferente poder trabalhar aqui, com essa vista das árvores, sentindo o vento. Não tem comparação com ficar dentro de um escritório", afirma o jovem.

Atividades extras e novos significados para a vida

Para atrair novos públicos e oferecer experiências diversificadas, muitos campings têm investido em atividades complementares. Em outro espaço da região, aulas de kitesurf foram incorporadas à programação. A ideia surgiu da observação do potencial da lagoa, que possui águas rasas e seguras para iniciantes.

"O meu filho já conhecia o esporte, a gente conversou e resolveu tentar. A lagoa é apropriada, baixinha, dá para todas as idades", explica a proprietária Sil Scarpari.

Entre aventura e descanso, há quem tenha encontrado nos campings um novo sentido para a existência. Aos 89 anos, Gustavo Pedro Maya mora no local há mais de duas décadas. Sua rotina inclui cuidar das plantas, conversar com os amigos e sentir diariamente a brisa da lagoa.

"Há 23 anos eu vim morar nesse paraíso e aqui eu rejuvenesci. Antes eu era infeliz. Felicidade não dá para terceirizar. Cheguei aqui, fui muito bem acolhido e daqui não saio, a não ser num caixão", declara Gustavo com bom humor e sabedoria.

Os campings do Litoral Norte do Rio Grande do Sul se afirmam assim não apenas como opções econômicas para verão e Carnaval, mas como verdadeiros espaços de reconexão com a natureza, criação de laços familiares e redescoberta de um ritmo de vida mais saudável e significativo.