
O mundo está mesmo ficando menos religioso? A pergunta, que já foi tabu, hoje é tema de pesquisas sérias e dados surpreendentes. Enquanto algumas nações vivem e respiram fé, outras simplesmente seguem um caminho oposto, quase secular.
O que leva um país inteiro a abraçar o ateísmo? Não é uma resposta simples, mas um caldo de fatores históricos, políticos e, claro, culturais. A verdade é que o mapa da crença global está cheio de nuances.
Os Campeões da Descrença
O ranking, baseado em pesquisas robustas como a do Win/Gallup International, coloca a China no topo absoluto. Lá, a coisa é séria: estima-se que mais de 90% da população se identifica como ateia ou sem religião. O legado do regime comunista, que promove o ateísmo de Estado, é um fator pesadíssimo. Mas não é só isso. A aceleração econômica brutal criou uma sociedade ultra focada no material, no sucesso tangível, deixando o espiritual em segundo (ou último) plano.
Em segundo lugar, vem uma surpresa para muitos: o Japão. Apesar dos templos lindos e das tradições xintoístas, a maioria dos japoneses não pratica religião alguma no dia a dia. A espiritualidade deles é mais cultural, folclórica, do que devocional. É uma relação estranha, mas funciona. Eles frequentam templos em datas específicas, mas isso não significa, necessariamente, crença em um deus.
E a Europa? Como fica o Velho Continente?
Ah, a Europa! O berço do cristianismo hoje é também o lar do secularismo. República Tcheca, Suécia, Reino Unido e Holanda são exemplos clássicos. Nações com um estado de bem-estar social forte, onde a ciência e a razão muitas vezes substituíram a necessidade de um consolo religioso. A secularização foi um processo lento, mas extremamente eficaz.
É curioso pensar que países com histórias religiosas tão profundas – como guerras e tudo mais – são hoje os mais céticos. A modernidade, de fato, cobrou seu preço.
E o Brasil? Onde nós entramos nessa história?
O Brasil, claro, ainda é um país profundamente religioso. Mas os ventos estão mudando, nem que seja devagar. O número de pessoas que se declaram “sem religião” – que inclui ateus, agnósticos e os que simplesmente não se importam – não para de crescer. Ainda somos um grão de areia perto dos gigantes do ateísmo, mas a tendência é global.
Os motivos? Urbanização, acesso à informação, escândalos envolvendo instituições religiosas… a lista é longa e complexa. O brasileiro está questionando mais. E talvez isso não seja totalmente ruim.
No fim das contas, o mapa do ateísmo mundial nos conta uma história fascinante sobre a humanidade. Sobre como evoluímos, como pensamos e no que (ou em quem) decidimos acreditar – ou não. É um retrato de uma era de transformação, cheia de dúvidas e incertezas, mas também de liberdade para escolher.