Padre do Santuário Nacional de Aparecida critica marcha bolsonarista e uso de armas em sermão que viraliza
Uma pregação realizada no Santuário Nacional de Aparecida, localizado no interior de São Paulo, gerou intensa polêmica e viralizou nas redes sociais no último fim de semana. Durante uma missa, o padre Ferdinando Mancílio, que atua como Prefeito de Igreja do maior templo católico do Brasil, dedicado a Nossa Senhora Aparecida, fez duras críticas à marcha para Brasília organizada por apoiadores do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro.
Em seu sermão, o religioso também condenou veementemente o uso de armas de fogo, levantando questões sobre os valores cristãos em meio a debates políticos acalorados.
Declarações polêmicas durante a missa
Em um trecho marcante da pregação dirigida aos fiéis, o padre Ferdinando Mancílio questionou a motivação por trás da marcha para a capital federal. "Não adianta querer fazer uma marcha para Brasília, alguém que nunca teve nenhum projeto a favor do povo, e dizer que está defendendo a vida. Mentira! Quer o poder. Acho que você entende o que eu estou dizendo. Para onde que eu quero ir? A favor da vida ou a favor da morte?", afirmou o religioso, em referência indireta a figuras políticas envolvidas no evento.
Na sequência, o padre abordou o tema do uso de armas, rejeitando a ideia de que cristãos possam apoiar tal prática. "'Padre, eu sou cristão', me disse uma pessoa aqui no santuário. 'Mas eu sou a favor das armas'. Não tem jeito. É impossível. A arma só tem uma finalidade: ferir e matar. E alguém também me disse, 'o machado também mata'. E eu lhe respondi: 'mas sua finalidade é outra'. De que lado nós estamos?", questionou Ferdinando Mancílio, enfatizando a incompatibilidade entre a fé cristã e a defesa de instrumentos letais.
Contexto da marcha e repercussão das falas
As declarações do padre ocorreram durante o sermão de uma missa realizada no dia 25 de janeiro, mas ganharam ampla repercussão nas redes sociais nos dias seguintes. A marcha para Brasília, criticada por Ferdinando Mancílio, foi liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira, partindo de Paracatu, em Minas Gerais, no dia 19 de janeiro, e percorrendo aproximadamente 240 quilômetros até a capital federal.
O evento culminou em um ato de apoio a Jair Bolsonaro, que está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, após ser condenado a 27 anos de prisão por crimes incluindo golpe de Estado. Tragicamente, o ato terminou com dezenas de feridos devido a um raio durante uma chuva, resultando na hospitalização de pelo menos 41 pessoas.
O Santuário Nacional de Aparecida, o padre Ferdinando Mancílio e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil foram contatados para se manifestar sobre as declarações, mas não responderam até o momento da publicação desta reportagem. A matéria será atualizada caso haja novos posicionamentos.