Coroa do Divino de Mogi é restaurada após queda e danos históricos
Coroa do Divino de Mogi restaurada após queda

A Coroa do Divino Espírito Santo de Mogi das Cruzes, símbolo centenário da tradicional Festa do Divino, passou por um minucioso processo de restauração após sofrer danos em uma queda. De acordo com representantes da festa, a peça, que possui mais de um século de história, apresentava partes quebradas e soltas, além de já ter passado por reparos anteriores.

Significado histórico e cultural

A Coroa simboliza a realeza e remete ao início do culto ao Divino Espírito Santo, surgido na Baixa Idade Média. O objeto também está ligado ao chamado Império do Divino, tradição em que os festeiros eram conhecidos como Imperadores do Divino. Durante as celebrações da época, eles detinham poderes simbólicos, incluindo a possibilidade de solicitar a libertação de presos.

Uso nas celebrações atuais

Atualmente, a Coroa é carregada pela festeira durante cerimônias tradicionais da Festa do Divino, como a procissão, a novena e a Entrada dos Palmitos. Neste ano, a 413ª edição da festa ocorrerá entre os dias 14 e 24 de maio, com o tema "Divino Espírito Santo, fazei de nós mensageiros da vossa Paz", propondo uma reflexão sobre a construção de um mundo mais fraterno e solidário. A expectativa é de que cerca de 400 mil pessoas participem do evento. Os festeiros desta edição são Ricardo Medina Alvarez e Maria de Lourdes Pereira da Silva Medina, enquanto os capitães-de-mastro são Maurício de Lima Ramos e Tavane Prado Rodrigues Ramos.

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Processo de restauração

O responsável pela restauração foi o ourives Edemilson Souza Silva, natural da Bahia e residente em Mogi das Cruzes desde 1991. Segundo ele, o serviço foi indicado por Mathias Tomazulo, cliente e artesão dos tapetes ornamentais da Festa do Divino. "A Coroa veio nesse estado, amassada e com uns pontos quebrados. A plaquinha de identificação estava de ponta cabeça, algumas moedas que formam o cesto, onde é fixada a coroa, estava na posição inversa. Minha restauração foi soldagem e alinhamento do cesto e a Coroa", explicou Silva.

Feita de um metal semelhante ao bronze, a Coroa prateada possui um cesto formado por moedas de prata que representavam mil réis em 1931. A data aparece em uma placa metálica soldada na base da peça, indicando que a Coroa tem cerca de 95 anos. Silva considerou dar um banho de prata nos acessórios, mas avaliou que a estrutura não suportaria o procedimento. Por segurança, optou por pintar a Coroa e o cesto com tinta prateada. "Fui fazendo os reparos ponto a ponto. Desmontei a Coroa, fiz os reparos e fui montando e acertando onde estavam amassados e tortos. Levei 30 dias para restaurar. Foi sem muita pressa. Eles deixaram eu fazer o reparo bem à vontade", detalhou.

Danos e queda

De acordo com o ourives, a Coroa ficou danificada após uma queda. "Daí enviaram em fevereiro deste ano, para eu restaurar", explicou. Segundo a Associação Pró Festa do Divino, não se sabe exatamente quando a queda ocorreu, mas há indícios de que tenha sido após 1994, já que imagens daquele período mostram a peça intacta. Recentemente, algumas moedas começaram a se soltar, motivando a nova restauração.

Devoção e gratuidade

Devoto de Nossa Senhora Aparecida e do Divino Espírito Santo, Silva costuma frequentar a quermesse para saborear o tradicional afogado. Por causa da devoção, ele não cobrou pelo restauro. "Em nome do senhor Mathias e do Divino Espírito Santo, não teve custo. Fiz de coração e não cobrei nada. Até comentei se eles não queriam fazer uma Coroa nova em prata. Vamos ver, né. Quem sabe eu possa fazer um dia", afirmou.

A Associação explicou que peças antigas possuem maior valor histórico e cultural, por isso a escolha foi restaurar a Coroa em vez de produzir uma nova. Segundo a entidade, o tempo de existência da peça aumenta sua importância histórica.

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