Fé e tradição: Rio celebra Dia de São Sebastião com procissão histórica
Centenas de fiéis participaram nesta segunda-feira, dia 20, da tradicional procissão em homenagem a São Sebastião, padroeiro do Rio de Janeiro. O cortejo saiu da Tijuca e seguiu pelas ruas em direção ao Centro, reunindo famílias inteiras, promessas pagas e demonstrações de fé que atravessam gerações.
Devoção que atravessa séculos
A devoção ao santo acompanha a história da cidade desde a fundação do Rio, há mais de 460 anos, quando a imagem de São Sebastião foi trazida pelo fundador Estácio de Sá. Dentro das casas cariocas, essa fé se mantém viva ao longo do tempo, como testemunham os relatos emocionados dos participantes.
Maria Aparecida Martins, inspetora de alunos, compartilhou sua conexão familiar: “Sou muito devota de Nossa Senhora Aparecida, mas São Sebastião tem uma importância muito grande na minha família. Vem de muito antes, da minha mãe”.
A empregada doméstica Roseli Nascimento também destacou a herança familiar: “Venho desde pequena, com minha mãe, carregando a gente pequenininha. É muita fé”.
Quem foi São Sebastião
São Sebastião foi um capitão do exército romano que defendia cristãos durante o período de perseguições e, por isso, foi condenado a ser alvejado por flechas. Sobreviveu e se tornou símbolo de coragem, resistência e vitória diante das dificuldades — características que ajudam a explicar a forte identificação do santo com a cidade.
Um dia de celebração intensa
Durante todo o dia, o Santuário de São Sebastião, na Tijuca, recebeu milhares de fiéis. As missas começaram às 5h da manhã e seguiram sem intervalo, com a igreja lotada. À tarde, o santo saiu às ruas sob aplausos, vivas e uma chuva de pétalas de rosas no momento em que a imagem deixou a igreja.
Entre os participantes estava Arlete, que acompanha a procissão há 90 anos, sempre emocionada. Um visitante francês também registrava tudo com os olhos marejados, comentando: “Para mim, é maravilhoso. Na França o catolicismo não é tão importante hoje. No Brasil, é sempre vivido”.
Bênção às escolas de samba
Ao chegar ao Estácio, berço do samba carioca, o cortejo fez uma pausa especial que uniu fé e carnaval. O cardeal arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, abençoou os estandartes das escolas de samba e os sambistas que participaram do momento.
Em resposta, representantes das agremiações cercaram a imagem de São Sebastião com bandeiras, em um dos pontos altos da procissão. A cena simbolizou a ligação entre o padroeiro e a cultura popular do Rio, reforçando a ideia de que São Sebastião é, para muitos, “o mais carioca de todos os santos”.
Uma tradição que se renova
A procissão de São Sebastião não é apenas um evento religioso, mas uma manifestação cultural que reflete a identidade carioca. A mistura de fé, história e alegria popular cria um momento único, onde gerações se encontram para celebrar um santo que representa a resiliência e a paixão do povo do Rio.
Com cada passo do cortejo, a cidade reafirma sua devoção a São Sebastião, mantendo viva uma tradição que começou há séculos e continua a emocionar tanto moradores quanto visitantes.