Jovem contrabaixista venezuelano representa Roraima em prestigiado festival musical
Ender Gabriel Carreño Blanco, um talentoso contrabaixista de apenas 20 anos, viveu um momento histórico nesta quarta-feira (28) ao representar o estado de Roraima em uma apresentação da Orquestra Jovem Sesc Brasil. O evento ocorreu no icônico Theatro Guarany, localizado em Pelotas, no Rio Grande do Sul, como parte da programação do 14º Festival Internacional Sesc de Música.
Trajetória musical marcada por superação
Nascido na Venezuela, Ender migrou para o Brasil ainda na adolescência, acompanhando sua família durante o período de crise política e econômica que afetou seu país de origem. A música surgiu como um refúgio e uma ferramenta fundamental para sua adaptação à nova realidade brasileira.
O jovem músico começou seus estudos com o contrabaixo em meados de 2021, inicialmente como uma atividade ligada à igreja. Contudo, sua paixão pelo instrumento cresceu rapidamente após participar de diversos festivais locais em Roraima, onde percebeu sua evolução técnica e decidiu transformar o hobby em uma carreira profissional.
Seleção nacional e apresentação histórica
Ender foi cuidadosamente selecionado entre músicos de todo o território nacional para integrar a Orquestra Jovem Sesc Brasil, um grupo composto por 50 jovens talentos musicais. Sob a regência do renomado maestro Geovane Marquetti, o contrabaixista apresentou-se com um repertório diversificado que incluiu:
- Releituras de clássicos da Música Popular Brasileira
- Partes da trilha sonora do filme O Auto da Compadecida
- Um emocionante medley com obras do consagrado artista Alceu Valença
Esta foi a primeira vez que o músico viajou para fora de Roraima, marcando um passo significativo em sua carreira artística.
Festival Internacional Sesc de Música
O evento em Pelotas é reconhecido como um dos maiores festivais de música de concerto de toda a América Latina. Em sua 14ª edição, o festival reúne uma impressionante comunidade artística:
- 400 participantes entre alunos e professores
- Representantes de 12 diferentes nacionalidades
- Mais de 115 apresentações gratuitas ao público
O festival oferece bolsas integrais e parciais que cobrem despesas de viagem e estadia, promovendo um valioso intercâmbio cultural e formação artística de alto nível.
Adaptação através da arte
Em entrevista, Ender revelou como a música transformou sua experiência como imigrante no Brasil: "Bem antes de aprender música, eu tinha aquele peso de estar em um país diferente. Conforme fui aprendendo, fazendo mais concertos e estudando, fui me relacionando melhor com o país e as pessoas".
O contrabaixista já havia acumulado experiência em Roraima, onde integrou a Orquestra Infantojuvenil, a Orquestra Municipal de Boa Vista e participou de três edições locais do festival de música do Sesc. Contudo, a experiência no Sul do país representa um marco em sua trajetória.
Celebração de uma conquista
Com evidente emoção, Ender compartilhou seu sentimento sobre a apresentação: "A sensação de representar Roraima e o meu país é 'top demais'. Fazer parte da primeira Orquestra Sesc Brasil é muito gratificante. Está sendo muito legal sentir esse clima de ser um músico profissional".
Sua história ilustra não apenas o talento musical que transcende fronteiras, mas também o poder transformador da arte na integração cultural e no desenvolvimento pessoal de jovens imigrantes.