Tiê retorna ao indie com álbum confessional 'Esgotada'
Tiê retorna ao indie com álbum confessional 'Esgotada'

Na calmaria de uma madrugada insone, Tiê encontrou a inspiração para 'Minha história', a faixa que abre e dá o tom confessional de seu novo álbum, 'Esgotada'. Previsto para ser lançado nesta quarta-feira, 20 de maio, o trabalho marca o retorno da artista paulistana à cena indie após uma incursão pelo mainstream. A capa do disco é uma pintura a óleo de Marina Quintanilha, baseada em foto de Indira Dominici, que retrata Tiê de forma introspectiva.

O caminho de volta ao indie

Tiê Gasparinetti Biral iniciou sua carreira em 2007, inspirada pelo sucesso de Céu. No entanto, um desvio inesperado a levou ao grande público com a música 'A noite', versão de 'La notte' (2012), incluída no álbum 'Esmeraldas' (2014) e na trilha da novela 'I love Paraisópolis' (2015). Sob contrato com a Warner Music, ela seguiu as demandas do mercado em 'Gaya' (2017), que trazia a canção 'Amuleto', do hitmaker Bruno Caliman, e no ao vivo 'Dix' (2019). Mas o retorno ao indie foi inevitável quando os números não fecharam.

'Esgotada' é o primeiro álbum solo autoral gravado em estúdio após esse retorno, parte de um projeto duplo que incluirá 'Amorosa' no segundo semestre. 'Sinto que 'Esgotada' é um mergulho e um transbordamento. Organiza coisas intensas, mas abre novas perguntas e caminhos', explica Tiê.

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Músicas e produção

Com produção de André Whoong, Marcus Preto e Tó Brandileone, o álbum transita entre a delicadeza de outrora, como em 'Ainda' (composição de Adriano Cintra e Bárbara Ohana, lançada como single em março), e a renovação, exemplificada no suingue funky de 'Contato', inspirada no livro homônimo de Carl Sagan. A faixa 'Atitude' traz uma parceria inédita com Adriana Calcanhotto, em uma letra de mea culpa em DR.

O disco conta com músicos como Antônio Adolfo (piano), Filipe Coimbra (guitarra), Jamil Joanes (baixo), Jeremy Gustin (bateria), Silvanny Sivuca (percussão) e Tó Brandileone (guitarra, teclados, percussão, violoncelo e efeitos sonoros). As canções nascem da vivência pessoal da artista, como 'Altar', uma ode à amizade como pilar da saúde mental, e a etérea 'Tanto faz'. À medida que as oito faixas avançam, a embalagem refinada sobressai em relação às canções.

Temas e emoções

Em sintonia com o título 'Esgotada', o álbum é atravessado por afeto, cansaço e dor, exposta já no nome da canção 'Verdade dói'. 'Tempo pra mim', parceria com Thomas Roth, descortina memórias de infância e adolescência em tom confessional, fazendo a balança pender para a delicadeza, embora a maioria das letras verse sobre questões de densidade emocional.

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