Novos depoimentos, fitas inéditas gravadas pela família e imagens de arquivo nunca exibidas ao público fazem parte do documentário “Pico dos Marins: O Caso do Escoteiro Marco Aurélio”, lançado pelo Globoplay. A produção aborda o desaparecimento do escoteiro Marco Aurélio Simon, ocorrido há quase 40 anos em Piquete, no interior de São Paulo.
Diretor revela bastidores
Em entrevista ao g1, o diretor Marcelo Mesquita explicou que a série surgiu a partir do podcast criado por ele sobre o caso e detalhou os novos elementos apresentados na versão audiovisual. “O que aconteceu na série audiovisual é que boa parte dos ‘nãos’ que eu recebi viraram ‘sim’. O Osvaldo Machado, que era um dos escoteiros, não quis dar entrevista no podcast, mas na série ele dá um depoimento muito importante”, afirmou Marcelo.
Fitas inéditas da mãe
Segundo o diretor, a série também aprofunda a participação de Neuma Simon, mãe de Marco Aurélio, por meio de fitas inéditas encontradas durante a produção. “Esse material dessa mãe procurando pela verdade vem com mais horas de fita na série. É muito interessante ver como a Neuma, um mês depois do desaparecimento, chama o Juan para uma conversa e um dos assuntos que eles mais conversam é sobre a possibilidade de o Marco Aurélio ter chegado até a base”, disse.
Marco Aurélio tinha 15 anos de idade quando desapareceu em 8 de junho de 1985. Ele subiu o Pico dos Marins com o líder de escotismo e três colegas. Juan Bernabeu, chefe dos escoteiros na expedição, foi considerado o principal suspeito do caso.
Imagens reais e materiais históricos
Marcelo afirmou ainda que a produção traz imagens reais e materiais históricos que não apareceram no podcast. “Na série audiovisual, você vai ver as imagens reais, o acervo da família, as fotografias, os filmes Super 8, as reportagens da época, televisão, programas de auditório e todo o material das reconstituições”, afirmou.
Projeto de oito anos
O projeto do documentário começou em 2018, após autorização de Ivo Simon, pai de Marco Aurélio, e levou oito anos para ser concluído. “O Ivo queria um projeto audiovisual como se fosse um grande cartaz de procura-se”, disse.
Entre os entrevistados está Osvaldo Machado, um dos escoteiros que participou da trilha em 1985. Segundo a investigação, foi após Osvaldo se machucar durante a subida que Marco Aurélio decidiu seguir sozinho até a base da montanha para pedir socorro — e desapareceu.
Buscas recentes e expectativas
A série também acompanha buscas recentes relacionadas ao caso e apresenta documentos inéditos. Marcelo afirma que a expectativa é que a repercussão ajude a trazer respostas para a família. “O streaming hoje tem o poder de chegar na casa de muita gente. O que eu espero é cumprir essa missão de levantar o maior cartaz possível para tentar trazer uma solução para o caso”, afirmou.
Marco Aurélio desapareceu em 8 de junho de 1985, durante uma expedição ao Pico dos Marins, na Serra da Mantiqueira. O caso nunca foi solucionado e é considerado um dos desaparecimentos mais conhecidos do país.
Nos últimos anos, a polícia realizou novas escavações na região com apoio de cães farejadores, drones com radar, sensores e inteligência artificial, após receber informações de que o corpo poderia estar enterrado próximo à montanha. Apesar das diligências, nenhum vestígio foi encontrado e o caso segue em investigação.



