Cantora italiana criada por IA lança álbum de Carnaval com funk e crítica social
Cantora italiana de IA lança álbum de Carnaval com funk e crítica

Cantora virtual Marani Maru lança álbum de Carnaval criado por IA em Divinópolis

A cantora pop italiana Marani Maru, desenvolvida inteiramente por inteligência artificial, acaba de lançar um novo álbum dedicado ao Carnaval brasileiro. O projeto é assinado pelo criador Rodrigo Ribeiro, artista de Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais, que concebeu a artista do zero. Intitulado Carnavale Brasiliano, o EP foi disponibilizado no dia 29 de janeiro e já está acessível nas principais plataformas de streaming.

Fusão de ritmos brasileiros e lírica em italiano

Mesmo sendo uma artista com identidade italiana, Marani Maru homenageia o Brasil ao unir elementos do funk brasileiro com percussões típicas do Carnaval. As letras, porém, mantêm-se em italiano, uma estratégia pensada para atrair tanto brasileiros que estudam o idioma quanto ouvintes estrangeiros. Rodrigo Ribeiro explicou que a ideia é gerar identificação com o público local enquanto apresenta o país além dos estereótipos tradicionais.

O álbum reúne três faixas: Carnavale Brasiliano, Febre e Carnavale Brasiliano Remix. A música-título se destaca por sua abordagem crítica, refletindo sobre desigualdades sociais, custo de vida e os contrastes entre festa e sobrevivência no cotidiano brasileiro. Em trechos traduzidos, a letra evoca temas como o preço do gás e as lutas diárias por dignidade.

Crítica social sem viés partidário

Segundo Rodrigo, o EP não assume um posicionamento partidário, mas busca provocar reflexão sobre questões sociais que transcendem governos. Ele enfatiza que a intenção é mostrar o Brasil em sua complexidade, celebrando a cultura enquanto reconhece as dificuldades enfrentadas pela população. Versos como Sexy, suado, lúcido, porque ser desejável também é política resumem essa proposta de unir celebração e consciência crítica.

Processo criativo e desafios técnicos

O projeto Marani Maru nasceu do zero, com identidade visual, voz, repertório e clipes sendo criados a partir de ferramentas de IA, sempre sob a direção de Rodrigo. Ele ressalta que o processo não é automático, exigindo conhecimento técnico em fotografia, enquadramento, iluminação e direção de arte. A escolha pela origem italiana da cantora está ligada a memórias afetivas do criador, como assistir à novela Terra Nostra na infância e seu interesse posterior pelo cinema italiano.

Rodrigo estuda italiano diariamente e escreve as letras primeiro em português, traduzindo e revisando antes da produção musical. Isso integra aprendizado pessoal com criação artística, acelerando seu domínio do idioma.

Repercussão internacional e debate sobre IA na arte

Em menos de um mês, as músicas de Marani Maru já circulam em plataformas como Spotify, Apple Music e TikTok, com execuções registradas no Brasil, Itália, Estados Unidos e Hungria. O projeto entrou em playlists algorítmicas rapidamente, um feito incomum para artistas independentes. Rodrigo vê a inteligência artificial como uma ferramenta de libertação criativa, expandindo possibilidades na arte contemporânea.

O debate sobre IA na música ganhou força recentemente com casos como a faixa A Sina de Ofélia, que simulou vozes de cantores famosos. Especialistas apontam que a tecnologia desafia modelos tradicionais da indústria fonográfica, levantando questões sobre direitos autorais e autoria. Para Rodrigo, o foco está em inovar e provocar discussões, sem substituir o humano.

O novo álbum marca uma fase mais madura do projeto, que continua a unir tecnologia, música e reflexão social, chamando atenção tanto no Brasil quanto no exterior.