Banda do MBL fica em 1º na votação popular, mas júri técnico a exclui do Lollapalooza 2026
Banda do MBL vence votação, mas é cortada do Lolla por júri técnico

Banda com integrantes do MBL lidera votação, mas é excluída do Lollapalooza por júri técnico

Em uma reviravolta que mistura música e política, a banda Limão Rosa, formada por membros do Movimento Brasil Livre (MBL), conquistou o primeiro lugar na votação popular do concurso "Temos Vagas", mas foi preterida pelo júri técnico do Lollapalooza 2026. O grupo, composto por Renan Santos, Arthur do Val (conhecido como Mamãe Falei) e Gustavo Moledo, não abrirá o festival nesta sexta-feira (20), conforme decisão dos jurados.

Regulamento e critérios de seleção

O concurso, organizado pela rádio 89FM em parceria com a RockWorld, previa que as 50 bandas mais votadas pelo público passariam por uma triagem final realizada por representantes da emissora e do festival. A banda vencedora, Ginger and the Peppers, foi escolhida com base em critérios como qualidade musical, adequação ao evento e engajamento com a comunidade.

Um porta-voz da 89FM explicou ao g1: "Julgamos a Limão Rosa como julgamos todas as outras bandas. E foram mais de mil. Não teve nenhum critério específico para a Limão Rosa. E, na nossa avaliação, a Ginger and The Peppers tinha mais elementos para vencer o concurso." A organização do Lollapalooza, que também integrava o júri, optou por não se pronunciar sobre a decisão.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Reação dos integrantes da banda

Renan Santos, pré-candidato à Presidência, e Arthur do Val descreveram a participação no concurso como "despretensiosa" e surgida durante uma live no YouTube. "Eu não liguei muito, porque tinha certeza que os caras [do júri] não iam querer colocar a gente, iam dar um jeito de inventar uma desculpa. Até por isso, nem fomos atrás, não reclamamos", afirmou Renan.

Arthur complementou: "Acho que o Lolla jamais chamaria a gente. Se eu fosse eles, não chamaria. Por que chamar uma banda polêmica tendo milhões de outras bandas? Mas, se chamassem, seria o evento do ano porque seria inusitado um festival considerado de esquerda chamar uma banda ligada a políticos de direita."

Desconexão com a base política e estilo musical

Os músicos garantiram que não houve engajamento massivo de adeptos do MBL na votação, destacando que a banda não é popular entre a militância do movimento. "A militância do MBL não gosta da banda. Uma das grandes piadas que a galera fala é: 'fiquem na política que é melhor'", revelou Renan.

O grupo, inspirado em Velvet Underground e The Stooges, cultiva um som sujo e alternativo, com influências de rock de garagem. Renan explicou: "A gente faz shows com improviso, vai ter erro no show. E tem que ter. Um show de garagem é para ser impreciso." Ele também ressaltou que as composições evitam temas políticos, preferindo uma abordagem mais distante da militância.

Trajetória e planos futuros da Limão Rosa

Nascida do desejo de "fazer música", a banda homenageia uma fruta não brasileira que, segundo seus integrantes, tem a cara do Brasil. Com singles como "Sheherazade Blues" e "Mariana", o grupo finaliza seu primeiro álbum, previsto para o primeiro semestre. Apesar dos compromissos políticos, a intenção é realizar shows pelo país, aproveitando uma base de fãs que já lotou casas com capacidade para 300 pessoas em Goiás.

A vencedora: Ginger and the Peppers

A banda escolhida, Ginger and the Peppers, formada em 2021, apresenta letras em inglês e uma musicalidade que dialoga com o rock dos anos 1970 e 1980, com toques de country. Com cerca de 47 mil ouvintes mensais no Spotify e 330 mil seguidores nas redes sociais, o grupo se apresentará às 12h no Palco Samsung Galaxy, abrindo o Lollapalooza 2026.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar