Grammy 2025: Um palco para disputas musicais e políticas
O próximo Grammy, que será exibido na noite deste domingo (1º), coloca em jogo uma decisão histórica para a indústria musical. De um lado, está o porto-riquenho Bad Bunny, indicado a seis categorias, representando a força da música internacional e uma ode a Porto Rico e aos latinos em seu disco Debí Tirar Más Fotos. Do outro, Lady Gaga, nomeada a sete estatuetas, simboliza a tradição americana que frequentemente domina a premiação. Esta edição, no entanto, vai além da arte, transformando-se em um embate político significativo.
Bad Bunny e a guerra fria com Trump
Bad Bunny, artista mais ouvido do mundo no Spotify, tem travado uma guerra fria com o ex-presidente Donald Trump nos últimos meses. Ele se recusou a levar sua turnê para os Estados Unidos por medo de que fãs sofressem repressão do ICE, o serviço americano de imigração. Essa postura despertou protestos na ala artística, inclusive entre atores que participaram do Globo de Ouro. O Grammy já deu um sinal contra a política anti-imigração de Trump ao incluir Bad Bunny nas três principais categorias: disco, canção e gravação do ano, um feito inédito para um projeto em espanhol.
Dar a ele uma estatueta, especialmente a de álbum do ano, como apostam especialistas, reforçaria essa oposição entre a premiação e o governo. Isso abriria espaço para discursos contra o presidente, semelhantes aos que Billie Eilish, também indicada, fez recentemente em outra cerimônia, criticando a falta de prioridade do governo em proteger o meio ambiente.
Artistas engajados e holofotes políticos
Billie Eilish, com 24 anos, e seu irmão Finneas O'Connell estão entre os artistas que mais se manifestam publicamente sobre política. Na última terça-feira, ela usou seu Instagram, com 125 milhões de seguidores, para ironizar celebridades caladas diante dos episódios envolvendo o ICE. Em contraste, a rapper Nicki Minaj recentemente apoiou Trump em um evento em Washington.
Lady Gaga, embora represente a música americana tradicional, é uma antiga opositora de Trump. Na quinta-feira, ela interrompeu um show em Tóquio para expressar preocupação com o estado dos Estados Unidos, onde pessoas estão sendo perseguidas e mortas. Outro nome relevante é Kendrick Lamar, recordista de indicações com nove, que constantemente cruza música e política em suas letras, como visto no Super Bowl do ano passado, quando ergueu bandeiras da Palestina.
Disputas acirradas nas categorias principais
Na categoria de álbum do ano, Bad Bunny com Debí Tirar Más Fotos e Lady Gaga com Mayhem são fortes contendores. Kendrick Lamar também está na corrida com GNX, que elevou sua carreira a um novo patamar. Outros nomes incluem Justin Bieber, Sabrina Carpenter e Leon Thomas, mas com chances menores.
Para gravação do ano, a música Abracadabra de Lady Gaga é favorita, rivalizando com Apt., parceria de Rosé do k-pop e Bruno Mars. Se vencer, Rosé se tornaria a primeira artista de k-pop laureada em uma categoria de peso. A disputa ainda conta com Sabrina Carpenter, Doechii e a colaboração de Kendrick Lamar e SZA.
Artista revelação e presença brasileira
A categoria de artista revelação é uma das mais imprevisíveis. A britânica Olivia Dean, comparada a Adele, despontou como favorita após uma explosão de sucesso no fim de 2024, enquanto Lola Young enfrentou desafios de saúde. Em categorias menores, Hayley Williams, Miley Cyrus e Chappell Roan são possíveis vencedores.
Dois brasileiros estão na disputa: Caetano Veloso e Maria Bethânia, concorrendo juntos em melhor álbum de música pop global com a gravação de sua turnê recente. Eles enfrentam rivais como o nigeriano Burna Boy e o senegalês Youssou N'Dour.
A 68ª edição do Grammy promete ser um marco, não apenas pela qualidade musical, mas pelo seu potencial impacto político e cultural, refletindo as tensões e diversidades do cenário global.