Di María fala sobre carreira, saída do Real Madrid e reencontro Benfica x Real
Di María revela detalhes da carreira e saída do Real Madrid

Em uma extensa entrevista concedida ao jornal espanhol As e publicada nesta terça-feira, o experiente atacante argentino Ángel di María fez revelações significativas sobre sua trajetória no futebol europeu. O jogador, que atualmente defende o Rosario Central em seu país natal, abordou momentos marcantes de sua passagem por dois gigantes do futebol: Benfica e Real Madrid.

Os primeiros passos na Europa e a consagração

Di María iniciou sua jornada europeia no Benfica, clube português onde atuou entre 2007 e 2010. Durante esse período, o argentino disputou impressionantes 125 partidas oficiais, marcando 15 gols e fornecendo 25 assistências. Seu desempenho excepcional chamou a atenção das maiores equipes do continente, culminando em uma transferência milionária para o Real Madrid, que desembolsou mais de 30 milhões de euros para contar com seus serviços.

"Fui vivendo dia após dia até que, no terceiro ano em Portugal, atingi um nível muito elevado", recordou Di María. "A partir desse momento, começaram a surgir propostas concretas de grandes clubes. Quando apareceu a oportunidade de jogar no Real Madrid, tornou-se impossível recusar. Trata-se do maior clube do planeta, e ter a chance de vestir aquela camisa foi um verdadeiro privilégio", afirmou com emoção.

O impacto de José Mourinho em sua carreira

Na época de sua chegada ao Real Madrid, o time era comandado pelo carismático técnico português José Mourinho. Di María não poupou elogios ao treinador, destacando sua importância tanto no aspecto profissional quanto pessoal.

"O Mourinho está muito à frente dos demais, é simplesmente o número um", declarou o argentino. "Ele me ofereceu tudo o que um jogador poderia desejar: confiança, apoio e oportunidades. Vou ser eternamente grato, pois apostou em minha contratação mesmo após uma Copa do Mundo de 2010 que não foi positiva para mim individualmente".

O coração dividido no reencontro histórico

Questionado sobre o confronto entre Benfica e Real Madrid, que ocorrerá no Estádio da Luz pela oitava rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões, Di María admitiu sentimentos conflitantes.

"O Real Madrid já está praticamente classificado, enquanto o Benfica enfrenta uma missão mais complicada", analisou. "Mas confesso que não consigo torcer contra nenhum dos dois clubes. Fui extremamente feliz em ambas as instituições. Que o resultado seja conforme a vontade divina".

A conturbada saída do Real Madrid

Um dos momentos mais delicados abordados na entrevista foi sua saída do Real Madrid em 2014, quando foi negociado por aproximadamente 75 milhões de euros. Di María foi categórico ao desmentir versões que circulavam na época sobre motivações financeiras.

"Eu não desejava deixar o clube", esclareceu. "Circulou a informação de que eu queria ganhar o mesmo que Cristiano Ronaldo, mas isso é completamente falso. Como alguém poderia almejar receber o mesmo que um atleta com múltiplas Bolas de Ouro? Estava muito feliz, havia conquistado a Liga dos Campeões recentemente, e o técnico Carlo Ancelotti também preferia que eu permanecesse".

O argentino revelou que a chegada de James Rodríguez ao elenco madridista foi determinante para sua saída. "O jogador que estava no mercado para ser negociado era eu", explicou. "Tentei ficar até o último instante. Participei do primeiro jogo da Supercopa contra o Atlético de Madrid, mas para o jogo de volta nem fui relacionado, pois o acordo com o Manchester United já estava fechado sem meu conhecimento prévio. Tive que assistir de casa ao Atlético erguer o troféu. Situações assim acontecem no mundo do futebol".

A era dos gigantes: Cristiano Ronaldo e Lionel Messi

Di María também compartilhou suas impressões sobre dois dos maiores jogadores da história: Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. Sobre o português, foi enfático ao reconhecer seu profissionalismo exemplar.

"Cristiano Ronaldo é, sem dúvida, o número um em termos de profissionalismo", afirmou. "Pela maneira como se dedica ao trabalho, como cuida rigorosamente de seu físico, como busca constantemente ser o melhor. Ele lutou intensamente para alcançar a posição de número um".

Entretanto, o argentino não escondeu sua preferência por seu compatriota. "Cristiano construiu tudo com trabalho árduo e esforço contínuo. Já Messi sai de um jogo, senta-se no vestiário tomando mate e demonstra possuir um dom natural que Deus lhe concedeu", comparou. "Coincidiu de Cristiano atuar na mesma era que Messi, o que tornou sua trajetória ainda mais desafiadora".

Gratidão e reflexão sobre uma carreira brilhante

Aos 37 anos, Di María enxerga sua trajetória com profunda gratidão e sem arrependimentos. Consciente de ter vivenciado momentos únicos em alguns dos clubes mais prestigiados do futebol mundial, o experiente atacante demonstra maturidade ao avaliar suas escolhas e experiências.

Sua entrevista oferece um raro vislumbre dos bastidores do futebol de elite, revelando não apenas conquistas e glórias, mas também os desafios e decisões difíceis que moldaram a carreira de um dos jogadores mais talentosos de sua geração.