A ascensão e queda da Ceia Ent.: a história por trás das diss tracks e processos judiciais
Ceia Ent.: ascensão, queda e brigas judiciais explicadas

A ascensão e queda da Ceia Ent.: a história por trás das diss tracks e processos judiciais

"Todos que tenham a mesma fome, todos que tenham a mesma sede, sentem-se à mesa". Este era o lema inspirador da Ceia Ent., coletivo de rap fundado em 2016 que gerenciou carreiras de artistas como Djonga, Tasha & Tracie, Kyan, Febem e Clara Lima. Uma década após sua criação, a empresa voltou aos holofotes não por seus sucessos musicais, mas por uma série de diss tracks e processos na Justiça envolvendo direitos autorais, calúnia e difamação.

O modelo inovador que conquistou o mercado

Fundada por Don Cesão e Nicole Balestro, a Ceia nasceu com um modelo de negócios revolucionário para a cena musical brasileira: nenhum contrato formal entre empresa e artistas. Os acordos eram verbais, com divisão de 90% dos lucros para os músicos e 10% para a produtora. Don Cesão atuava como caça-talentos, enquanto Nicole cuidava da burocracia - ambos com histórico consolidado no rap nacional.

O coletivo rapidamente se tornou referência, fechando parcerias publicitárias com gigantes como Budweiser, Adidas e Itaú. Entre 2017 e 2022, os artistas da Ceia dominaram festivais, charts e campanhas, projetando uma imagem de família unida onde todos se apoiavam mutuamente.

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O início das fissuras e o colapso

Em março de 2023, após acusações públicas e debandada de artistas, Don Cesão anunciou oficialmente o fim da Ceia em vídeo no Instagram. As reclamações centrais dos músicos giravam em torno da falta de prestação de contas e dificuldades para entender direitos sobre fonogramas.

Djonga foi especialmente vocal sobre sua saída, criticando a estrutura burocrática deficiente. O rapper revelou que precisou comprar seus próprios fonogramas - pagando cerca de R$ 300 mil pelos álbuns "NU" e "Histórias do Meu Lugar". Seus três primeiros trabalhos permaneceram vinculados a Don Cesão até serem negociados através de intermediários.

As batalhas judiciais e as diss tracks

Atualmente, quatro processos correm contra Nicole Balestro na esfera criminal por crimes contra a honra, movidos por:

  • Kyan
  • Djonga
  • Tasha e Tracie (em conjunto)

Em julho de 2025, Nicole publicou stories no Instagram alegando que os artistas ainda deviam valores entre R$ 200 mil e R$ 600 mil - acusações negadas veementemente por todos os envolvidos. As controvérsias incluem:

  1. Disputa sobre aluguel de veículo envolvendo Kyan e acidente com perda total
  2. Alegações sobre dívidas de Djonga com a agregadora Altafonte
  3. Processos estéticos supostamente pagos para Tasha e Tracie

Todos os processos correm em segredo de Justiça, enquanto a guerra pública ganha novos capítulos musicais.

A guerra musical reacende a polêmica

Em 13 de março, Don Cesão lançou "Doze Judas Na Minha Ceia", abordando diretamente o fim da produtora e conflitos com ex-artistas. Clara Lima respondeu em 7 de abril com "O Que Me Diss Respeito", recebendo tréplica apenas 24 horas depois.

O que começou como um coletivo familiar transformou-se em estudo de caso sobre os desafios da indústria musical brasileira, onde a falta de contratos formais, questões de transparência financeira e disputas por direitos autorais criaram um legado tão complexo quanto influente para o rap nacional.

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